Zelensky diz que Lula da Silva ainda vive nos tempos da União Soviética e critica postura do Brasil sobre a Ucrânia

"Ele pensa na Rússia como se hoje ainda existisse a União Soviética", declarou o líder ucraniano.

Lula e Zelensky Foto: Reuters
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O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, acusou o presidente brasileiro, Lula da Silva, de ainda viver nos tempos da União Soviética e criticou as alianças que o governo brasileiro tem feito com países não democráticos em relação à invasão russa ao território ucraniano, dois anos e meio atrás. Zelensky fez as declarações em entrevista ao apresentador brasileiro Luciano Huck, que tem ascendência ucraniana e foi a Kiev entrevistá-lo.

"Tive uma reunião (meses atrás, durante uma cimeira em Nova Iorque) com o presidente Lula e tivemos um diálogo muito bom, realmente bom. Estou agradecido por isso, mas ele vive as narrativas da União Soviética. É uma pena. Ele pensa na Rússia como se hoje ainda existisse a União Soviética", declarou o líder ucraniano, evidenciando a sua decepção com o homólogo brasileiro, que tem feito declarações favoráveis à Rússia, de cujo presidente, Vladimir Putin, é amigo.

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Na entrevista, Volodymyr Zelensky acrescentou que Lula apregoa a necessidade de o Brasil se manter neutro no conflito, mas que depois, frisou, nega essa neutralidade ao juntar-se a países aliados da Rússia. E países, fez questão de salientar, que não respeitam os direitos humanos nem a liberdade, que são ditaduras e não democracias como o Brasil.

"A China é um país democrático? Não. E o que dizer sobre o Irão, é um país democrático? Não. E o que dizer sobre a Coreia do Norte... Eles não são países democráticos. Então, o que é que o Brasil, um grande país democrático, faz nessas companhias? O Brasil vai engolir esses quatro aliados (Rússia, China, Irão e Coreia do Norte) ou esses quatro aliados vão engolir o Brasil?"-Disparou Zelensky, referindo-se, entre outras situações, ao facto de o Brasil ter subscrito uma carta da China, assinada também pelo Irão e pela Coreia do Norte, entre outros países, defendendo a negociação e a diplomacia para acabar com a guerra mas sem criticar a Rússia, país invasor.

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