Zelensky diz que Rússia não deve voltar às negociações em posição de força

Presidente afirmou que recebeu sinais dos EUA de que as negociações de paz com a Rússia "podem recomeçar brevemente".

19 de março de 2026 às 16:51
Zelensky Foto: EPA/Lusa
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O Presidente ucraniano disse esta quinta-feira, aos líderes europeus, ser preciso garantir que a Rússia não volte às negociações de paz numa posição de força, pedindo novamente que seja estabelecida uma data para a adesão de Kiev.

Num discurso feito por videoconferência na cimeira do Conselho Europeu, partilhado pelo próprio nas redes sociais, Volodymyr Zelensky afirmou que, nos últimos dias, recebeu sinais da parte dos Estados Unidos de que as negociações de paz com a Rússia "podem recomeçar brevemente".

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"Mas com que mentalidade é que o lado russo vai chegar às negociações desta vez? Depende de todos nós garantir que os russos não chegam a estas negociações com o sentimento de que a sua posição está muito mais forte", defendeu.

Zelensky sustentou que a Rússia deve “claramente ver e sentir verdadeiramente que a Ucrânia vai pertencer à Europa e que isso não pode ser parado”.

“É por isso que, a nível interno, estamos a fazer reformas e, a nível externo, a trabalhar para obtermos uma data clara para a Ucrânia aderir à UE”, disse, sublinhando que, se Kiev tiver uma “data clara”, a Rússia já não vai conseguir bloquear o processo de adesão.

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“Temos visto como as diferenças coisas ficam bloqueadas e como é difícil para uma Europa unida implementar até decisões que já foram tomadas. Isso não pode acontecer no que se refere à nossa adesão: trata-se de uma questão de confiança, segurança e de futuro”, disse.

Perante os chefes de Estado e de Governo da UE, Zelensky referiu um conjunto de situações que dar à Rússia uma eventual posição de força na mesa de negociações.

Primeiro, o Presidente ucraniano salientou que a Rússia pode sentir-se reforçada devido à guerra no Médio Oriente, não apenas pelo aumento do preço da energia – e, consequentemente, do petróleo russo -, mas também porque está a ver que estão a ser utilizados sistemas de defesa antiaérea no Médio Oriente e “podem achar que a Ucrânia vai ficar com falta” desses mísseis.

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Zelensky lamentou também que o 20.º pacote de sanções à Rússia não tenha sido aprovado na UE, considerando que isso vai “aumentar a pressão sobre Moscovo”, e criticou que os Estados Unidos tenham optado por levantar temporariamente as sanções ao petróleo russo já em trânsito.

“Isso dá uma quantia significativa de dinheiro para o orçamento de guerra de [o Presidente russo, Vladimir] Putin”, lamentou.

Por outro lado, pouco depois de o primeiro-ministro húngaro ter novamente recusado levantar o bloqueio ao empréstimo de 90 mil milhões de euros da UE à Ucrânia, Zelensky salientou que esse empréstimo “é crítico” para Kiev.

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“É um recurso para protegermos vidas e, mesmo hoje, não sabemos se esse apoio vai ser desbloqueado”, considerou.

Zelensky fez este discurso perante os líderes da UE precisamente depois de os chefes de Estado e de Governo terem falado durante cerca de 90 minutos sobre esse empréstimo de 90 mil milhões, tendo Viktor Orbán novamente recusado levantar o bloqueio.

Depois de ter ouvido críticas do presidente do Conselho Europeu, António Costa, que considerou o bloqueio inaceitável e em violação do princípio de cooperação leal consagrado nos Tratados, Orbán disse que a posição do Governo húngaro é juridicamente sustentada e que, enquanto não receber petróleo, não vai aprovar quaisquer fundos para a Ucrânia.

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Os líderes da UE reuniram-se em Bruxelas para discutir a resposta comunitária aos impactos da escalada militar no Médio Oriente, sobretudo para fazer face aos elevados preços da energia e garantir segurança energética.

A cimeira está a decorrer também numa altura de tensões entre Hungria e Ucrânia devido a disputas energéticas e políticas relacionadas com o oleoduto Druzhba, danificado por um ataque russo, com Kiev a afirmar que as reparações estão a ser atrasadas por questões de segurança e Budapeste a falar numa ação deliberada ucraniana por motivos políticos.

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