Massacre em mercado e bombardeamentos contra instalações energéticas complicam esforços para tentar alcançar um acordo.
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Enviados russos e ucranianos iniciaram esta quarta-feira uma nova ronda de negociações em Abu Dhabi, mas os esforços para alcançar a paz foram ensombrados por mais um massacre cometido pelas forças russas num mercado ucraniano e pelos constantes ataques contra instalações energéticas que deixam a população sem luz nem aquecimento numa altura em que as temperaturas na Ucrânia rondam os 20 graus negativos.
Na terça-feira, após mais um ataque devastador contra as instalações energéticas do país, o presidente Volodymyr Zelensky admitiu que os negociadores ucranianos iriam adotar uma "postura diferente" nas negociações de Abu Dhabi, que decorrem esta quarta e quinta-feira.
O primeiro dia de reuniões foi ainda ensombrado por um ataque russo com bombas de fragmentação contra um mercado na cidade de Druzhkivka, no leste da Ucrânia, que causou a morte de pelo menos sete pessoas e feriu outras quinze. Segundo o chefe da administração militar local, o ataque mostra que as palavras de Moscovo sobre as negociações de paz "não valem nada".
As negociações de Abu Dhabi iam começar com uma reunião entre as três delegações - russa, ucraniana e norte-americana - e seriam seguidas por reuniões setoriais entre vários grupos de negociadores antes de uma reunião final na quinta-feira. Esta foi a segunda vez que negociadores russos e ucranianos se sentaram frente a frente desde o início da guerra, depois de um primeiro encontro em Abu Dhabi no final do mês passado. Na altura, as declarações foram descritas como "positivas" por ambos os lados, e os EUA consideraram que o encontro "correu melhor que o esperado" e abriu caminho a um possível encontro entre Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin "muito em breve".
Expirou o último acordo de controlo nuclear
O último acordo de controlo de armamento nuclear entre os EUA e a Rússia expirou esta madrugada, removendo, pela primeira vez em mais de meio século, qualquer espécie de controlo sobre os arsenais da duas maiores potências nucleares mundiais e abrindo caminho a uma possível corrida ao armamento.
O Acordo Novo START, assinado em 2010 pelo antigo Presidente norte-americano Barack Oba- ma e pelo então chefe de Esta- do russo Dmitry Medvedev, limitava o arsenal operacional de ambos os países a 1550 ogivas nucleares num máximo de 700 mísseis e bombardeiros. Putin mostrou-se várias vezes recetivo a prolongar o acordo por mais um ano, mas Trump nunca se comprometeu, apesar de ter defendido a necessidade de manter o controlo sobre as armas nucleares das grandes potências e, até, de incluir a China no acordo.
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