page view

'Chuva' recorde de mísseis na Ucrânia antes das negociações de paz

Zelensky acusa Rússia de violar trégua nos ataques contra infraestruturas energéticas negociado por Donald Trump.

04 de fevereiro de 2026 às 01:30

Um número recorde de mísseis e drones russos atingiu na madrugada desta terça-feira várias cidades ucranianas, incluindo a capital, Kiev, na véspera das negociações de paz que vão decorrer em Abu Dhabi.

Pelo menos 32 mísseis balísticos (um novo recorde, segundo as autoridades ucranianas), 28 mísseis de cruzeiro e mais de 450 drones para confundir as defesas antia-aéreas foram usados neste ataque massivo, que visou, principalmente, infraestruturas energéticas em Kiev, Odessa, Dnipro e Kharkiv, entre outras cidades. Só na capital, mais de 1100 edifícios residenciais ficaram sem eletricidade nem aquecimento numa altura em que as temperaturas rondam os 20 graus negativos. "Para a Rússia, aproveitar os dias mais frios do inverno para aterrorizar ainda mais as pessoas é mais importante do que a diplomacia", acusou o presidente ucraniano, Volodymir Zelensky.

Além de centrais elétricas e térmicas, foram ainda atingidos vários edifícios residenciais, um jardim de infância e um posto de combustível em Kiev. Pelo menos 10 pessoas ficaram feridas e muitos milhares de outras foram obrigadas a passar a noite em abrigos subterrâneos.

Segundo Moscovo, o ataque desta terça-feira assinalou o final de trégua de uma semana nos ataques contra instalações energéticas acatada pela Rússia a pedido do presidente norte-americano, Donald Trump. Zelensky alega, por seu lado, que a trégua só entrou em vigor na passada sexta-feira, um dia após ser anunciada por Trump e que, por conseguinte, o ataque foi uma violação flagrante por parte da Rússia, a qual "deve ter consequências".

Os dois países voltam esta quarta e quinta-feira a sentar-se à mesa das negociações em Abu Dhabi, após as negociações trilaterais do mês passado, que foram descritas como "construtivas" por ambos os lados e pelos mediadores norte-americanos.

Rutte diz que a paz vai exigir "escolhas difíceis"

O Secretário-Geral da NATO, Mark Rutte, avisou esta terça-feira em Kiev que a paz vai exigir “escolhas difíceis” mas garantiu que a Ucrânia pode contar com o apoio da Aliança para garantir a sua segurança futura.

“Os EUA, a Europa e o Canadá mostraram-se disponíveis para oferecer as garantias de que a Ucrânia precisa para conseguir negociar a paz. Alguns Estados-membros anunciaram que irão enviar tropas para a Ucrânia após ser alcançado um acordo. Tropas no terreno, caças no ar e navios no Mar Negro. Os EUA serão a nossa salvaguarda. As garantias são sólidas e cruciais - porque sabemos que um acordo para acabar com esta guerra terrível vai exigir escolhas difíceis”, afirmou Rutte, adiantando que a Ucrânia “está pronta para ir a jogo” mas ataques como o desta terça-feira fazem duvidar da vontade da Rússia em negociar a paz.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8