Kiev tem sido alvo constante de ataques russos nas últimas semanas, numa altura em que o Parlamento Europeu se prepara para votar um novo empréstimo ao país.
Eurodeputados advertiram esta segunda-feira que "não há tempo a perder" no fornecimento de apoio militar à Ucrânia, após observarem na capital ucraniana "ataques contínuos" da Rússia e em vésperas de o Parlamento Europeu votar um novo empréstimo a Kiev.
Cinco membros da Comissão de Segurança e Defesa (SEDE) do Parlamento Europeu visitaram a capital ucraniana no final da semana passada, onde "testemunharam em primeira mão que a Ucrânia se mantém corajosa e desafiadora diante da economia de guerra da Rússia e de atos ilegais que incluem matar civis, sequestrar crianças e aterrorizar a população com ataques à energia e infraestruturas", segundo um comunicado.
Na nota de imprensa, o Parlamento Europeu relatou que os eurodeputados "viram poucas evidências de cessar-fogo, com ataques aéreos, sirenes durante toda a visita e ataques contínuos a infraestruturas civis" e "puderam perceber a realidade do impacto desses ataques em condições de inverno rigoroso que deixaram milhares de pessoas sem aquecimento e eletricidade, criando sofrimento humanitário severo".
A delegação do Parlamento Europeu reconheceu "o progresso nas negociações de paz", após mais uma ronda de conversações em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, na semana passada, mas, alertou que "não há tempo a perder para fornecer apoio militar à Ucrânia", sob ataque russo há quase quatro anos.
"Não podemos apenas 'esperar' pela paz, precisamos agir agora e garantir que a Ucrânia esteja em posição de alcançar a paz através da força", disse a presidente da SEDE, Marie-Agnes Strack-Zimmermann (Renew Europe, Alemanha), que chefiou a comitiva.
Citada no comunicado, a eurodeputada alemã sublinhou que "não pode haver segurança na Europa sem segurança na Ucrânia".
Os ucranianos, acrescentou, "estão a mostrar coragem a toda a Europa e o mundo perante tais atrocidades".
Os cidadãos europeus "reconhecem" que os ucranianos estão também a defender toda a Europa e "pedem que a Europa faça mais" para apoiar a Ucrânia e para fortalecer a defesa europeia, prosseguiu.
"Chega, devemos erguer-nos contra os agressores e defender os nossos valores e democracias juntos", frisou a responsável.
Na próxima quarta-feira, o Parlamento Europeu vota, em sessão plenária, o pacote de Empréstimos de Apoio à Ucrânia, no valor de 90 mil milhões de euros, dos quais 60 mil milhões de euros "dedicados às necessidades urgentes de defesa da Ucrânia".
Durante a visita, os eurodeputados encontraram-se com representantes da presidência e do parlamento, bem como da sociedade civil e da indústria de defesa.
"Expressaram uma forte mensagem de solidariedade e apoio inabalável à Ucrânia e aos seus cidadãos diante da guerra de agressão injusta e ilegal da Rússia" e transmitiram às autoridades ucranianas que o Parlamento Europeu está a usar "todos os seus poderes legislativos e orçamentais para fortalecer a defesa europeia, fornecer apoio militar à Ucrânia e integrar a indústria ucraniana na base industrial europeia de defesa", acrescentou a nota informativa.
A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados ocidentais desde que a Rússia invadiu o país, em 24 de fevereiro de 2022.
Os aliados de Kiev também têm decretado sanções contra setores-chave da economia russa para tentar diminuir a capacidade de Moscovo de financiar o esforço de guerra na Ucrânia.
A ofensiva militar russa no território ucraniano mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
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