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Guerra na Ucrânia deverá levar ao fim da atual ordem internacional liberal, defende historiador

Antigo professor universitário defende que "os jovens devem instruir-se, estudar, pensar, refletir, e não se deixar levar pelas frases da propaganda".

26 de agosto de 2022 às 23:35

O politólogo e historiador Jaime Nogueira Pinto defendeu esta sexta-feira, durante a academia de verão do Chega, que a Guerra na Ucrânia deverá levar ao fim da atual ordem internacional liberal, prevendo que haverá uma "reordenação do mundo".

Nogueira Pinto e o antigo presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) Vasco Rato estiveram juntos num jantar-debate com o tema "Portugal e o mundo: desafios estratégicos num globo multipolar" que encerrou o primeiro de três dias da iniciativa promovida pela juventude do partido Chega na cidade algarvia de Loulé.

"Estamos numa época em que a ordem internacional liberal, em princípio, acabou com esta guerra [na Ucrânia], vamos ter um interregno e vamos ter depois uma reordenação do mundo, que vai ser diferente", disse Jaime Nogueira Pinto, acrescentando que se tem de "ver o que é que sai daqui, deste conflito".

O politólogo afirmou que o resultado final "é bastante imprevisível" e que apenas pretendia dar "alguns dados para a interpretação" da atualidade: "Não somos profetas", sublinhou.

Assumindo-se como "uma pessoa da direita nacionalista", Nogueira Pinto explicou que "normalmente" aceita o convite para falar dos mais diversos setores, não tendo uma relação de proximidade com nenhum deles.

Aos jovens presentes, explicou um pouco aquilo que entende que é "a realidade geopolítica do mundo atual, o que se passa hoje em dia".

"Nesta análise das questões internacionais temos de olhar para os países e para os Estados como alguma coisa que se mexe essencialmente por interesses nacionais", disse Jaime Nogueira Pinto, sublinhando que "o maniqueísmo e a retórica da propaganda não alteram as condições reais das coisas".

O antigo professor universitário defendeu que "os jovens devem, sobretudo, instruir-se, estudar, pensar, refletir, e não se deixar levar pelas frases da propaganda, pelas notícias falsas, pelas emoções".

"Devem pensar que o mundo é uma coisa complicada e que não se resolve nem interpreta através de receitas ideológicas", afirmou Nogueira Pinto, ao mesmo tempo que defendeu que "a ideia de Nação é uma ideia forte que devemos ter", assim como a da "independência nacional".

O politólogo disse que "temos de olhar para os nossos interesses e não nos deixar arrastar pela propaganda e por algumas ideologias", assim como a "deturpação que o maniqueísmo faz ao defender que há uns bons e uns maus" e alertando que "isso é tudo uma forma perigosa de olhar para a realidade".

A academia de verão do Chega vai decorrer até domingo, em Loulé, com o mote "novos caminhos à direita", tendo arrancado no dia seguinte à rentrée do partido.

A sessão de encerramento do encontro de jovens no domingo fica a cargo do presidente do Chega, André Ventura, com uma intervenção sobre o futuro do país.

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