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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Kiev acusa Moscovo de cortar eletricidade da central nuclear de Zaporijia

Conquistada pelas tropas russas em março de 2022, a central é a maior da Europa.

27 de setembro de 2025 às 15:47

A Ucrânia acusou, este sábado, a Rússia de cortar a central nuclear de Zaporijia da rede elétrica ucraniana há quatro dias e, assim, tentar "roubá-la" ligando-a à rede controlada pela Rússia, alertando para ameaças à segurança.

"Pedimos a todas as nações preocupadas com a segurança nuclear que deixem claro a Moscovo que a sua jogada nuclear deve parar", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiga, numa mensagem na rede X.

Conquistada pelas tropas russas em março de 2022, no início da invasão em grande escala da Ucrânia, a central, localizada em Enerhodar, na região de Zaporijia (sul), é a maior da Europa.

Os seis reatores da central nuclear estão desligados, mas é necessária uma fonte de alimentação externa para continuar a arrefecê-los.

O operador da central, controlada pelo grupo russo Rosatom, confirmou, este sábado, que a instalação está sem fornecimento de energia externa desde terça-feira e que os geradores de emergência estavam atualmente a suprir as suas necessidades.

"Desde 23 de setembro de 2025, o fornecimento de energia para as necessidades da central nuclear de Zaporijia tem sido fornecido por geradores a diesel de emergência", disse o operador na plataforma Telegram.

Segundo esta fonte, existem reservas de combustível suficientes para um "funcionamento prolongado" em autonomia e o arrefecimento dos motores é realizado "na totalidade".

Mas o ministro ucraniano, Andrii Sybiga, acusou os operadores russos de "ignorarem qualquer consideração pela segurança nuclear" para "agradar aos seus chefes em Moscovo".

Segundo o chefe da diplomacia ucraniano, "a Rússia construiu 200 quilómetros de linhas de energia em preparação para uma tentativa de roubar a central, ligá-la à rede [sob controlo russo) e reiniciá-la".

Sybiga acusou Moscovo de "ações irresponsáveis" que causaram "muitos riscos" à energia nuclear desde o início da invasão em 2022.

"Mas a tentativa russa de voltar a ligar a central pode ser a pior até agora, representando os maiores riscos. Moscovo está a tentar envolver a AIEA nesta aventura e justificar o roubo" da central, disse Sybiga, exigindo que a central volte ao controlo ucraniano.

O chefe da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, foi recebido no Kremlin na sexta-feira pelo Presidente Vladimir Putin, no âmbito de uma visita à Rússia.

Na sua conta na rede X, Grossi disse ter discutido com o chefe da Rosatom, Alexey Likhachev, "a segurança e proteção" da fábrica de Zaporijia.

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