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Mais de 21 mil 'fake news' russas nos dias antes das negociações com a Ucrânia em Genebra

Estratégia de Moscovo passa por notícias de propaganda sobre a divisão da NATO, retratar a Ucrânia como um Estado falhado ou rotulá-la como terrorista.

17 de fevereiro de 2026 às 08:15

Entre 13 e 15 de fevereiro, cerca de 130 fontes envolvidas em ações russas de Manipulação e Interferência de Informações Estrangeiras (FIMI) publicaram aproximadamente 21,4 mil peças que mencionavam a Ucrânia, segundo uma organização ucraniana que combate a desinformação.

A estratégia da Rússia antes da reunião trilateral em Genebra, que envolve também Kiev e Washington, foi de lançar 'fake news' sobre a divisão da NATO, retratar a Ucrânia como um Estado falhado ou rotulá-la como terrorista, segundo dados do Spravdi, organização ucraniana que combate a desinformação, citados pelo portal de notícias ucraniano Euromaidan.

O Spravdi apontou que estas são "campanhas sistemáticas de desinformação, propaganda, incitação e operações psicológicas conduzidas pelo Estado agressor contra a Ucrânia e os seus parceiros", noticiou o Euromaidan.

De acordo com os analistas, as fontes russas coordenaram o ambiente informacional antes da reunião de Genebra, esta terça e quarta-feira, procurando desacreditar os esforços diplomáticos da Ucrânia e impor a narrativa da sua alegada "incapacidade de negociar".

Foram também amplamente divulgadas narrativas sobre uma alegada "cisão" no seio da União Europeia (UE) e da NATO, a alegada "ingratidão" da Ucrânia e a erosão da aliança EUA-Europa, segundo o Spravdi.

Para atingir este objetivo, as trocas de mensagens entre o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, foram manipuladas, tal como as declarações da Conferência de Segurança de Munique.

Uma linha de ação separada centrou-se em amplificar as alegações sobre o alegado "cancelamento" de uma reunião entre o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e os líderes da UE e da Ucrânia em Munique.

Sobre este tema, pelo menos 3.000 publicações ofereceram interpretações manipuladas das declarações dos participantes, criando a impressão de isolamento diplomático de Kiev, destacou o Euromaidan.

O segundo bloco da campanha retratou a Ucrânia como um "Estado falhado" sob "governação externa".

Para isso, foram promovidas alegações de uma possível "administração externa", juntamente com campanhas de informação sobre o ex-ministro da Energia ucraniano, Herman Halushchenko, envolvido em corrupção, enfatizando narrativas de corrupção.

A terceira direção foi a imposição da narrativa da "Ucrânia como um Estado terrorista", incluindo através da manipulação da informação sobre os apagões nas regiões fronteiriças da Rússia (oblasts de Belgorod e Bryansk), com deturpação deliberada das relações de causa e efeito.

Para a amplificação em massa das manipulações foram utilizadas redes da RT, Sputnik, Pravda e outras ações de FIMI.

A ofensiva militar russa no território ucraniano iniciada em fevereiro de 2022 mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

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