Família já está "a viajar desde 26 de fevereiro". Saíram da Ucrãnia rumo à Polónia, viajaram depois para a Bélgica e agora para Portugal.
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A primeira família de refugiados ucranianos chegou hoje à tarde à ilha de São Miguel, nos Açores, depois de terem saído da Ucrânia a 26 de fevereiro, à procura de "um país onde possam estar em tranquilidade".
A família (pai, mãe, uma filha e a avó), que à chegada ao aeroporto de Ponta Delgada, não prestou declarações, vai ser agora acompanhada pela Associação dos Imigrantes nos Açores (AIPA) e ficará instalada numa habitação disponibilizada pela autarquia.
O vice-Presidente da AIPA, Leoter Viegas, explicou, em declarações aos jornalistas, que a família já está "a viajar desde 26 de fevereiro", dia em que saíram da Ucrãnia rumo "à Polónia, viajaram depois para a Bélgica e posteriormente para Portugal".
A associação foi informada "na sexta-feira de que haveria uma família constituída por quatro pessoas que estavam no aeroporto de Lisboa e que queriam vir para os Açores", disse Leoter Viegas, acrescentando que foram logo desencadeados "um conjunto de contactos" que permitiram trazer a família até aos Açores.
"As pessoas estão numa situação de enorme fragilidade e o que querem é sair da Ucrânia e sair da Polónia, onde há mais de dois milhões de refugiados. As pessoas procuram um país onde possam estar em tranquilidade. Há uma pessoa na Região que tem estado em contacto com as pessoas na Ucrânia e na Polónia", explicou.
O responsável disse ainda que a AIPA tem conhecimento de que existem "mais" ucranianos que "estão interessados em vir para os Açores", sem conseguir adiantar para já quantos.
"Entendemos que a Região tem todas as condições necessárias para acolher os cidadãos refugiados e ajudar na integração", sublinhou o vice-presidente da AIPA, em declarações aos jornalistas no aeroporto de Ponta Delgada.
Leoter Viegas deixou um apelo às autoridades locais, desde Governo Regional, Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia e organizações para que "contribuem neste processo de ajuda aos cidadãos ucranianos".
"É uma honra podermos participar neste processo e acolhermos na Região a primeira família ucraniana que teve a nossa intervenção direta. E, agradecemos à SATA (transportadora aérea açoriana), que disponibilizou as passagens para esta família, porque tudo isto aconteceu muito rápido", referiu.
Leoter Viegas defendeu, no entanto, a necessidade de o "Governo Regional criar um plano sistematizado envolvendo vários organismos" para acolher os cidadãos provenientes da Ucrânia.
"Hoje chegaram quatro. Mas, amanhã poderão chegar mais e não sei com quem contactar para resolver o problema. E a Região tem de criar um plano. E nós enquanto associação temos algumas propostas para fazer ao Governo", vincou.
Leoter Viegas adiantou que a AIPA "está a trabalhar num plano" de integração, tendo já estabelecido contactos com várias entidades.
"Temos várias ofertas de emprego. Termos famílias que se estão a disponibilizar para acolher crianças, mas são questões que devem ser muito bem trabalhadas. São pessoas que vem de uma situação de guerra com muito sofrimento", sublinhou.
O presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada indicou que a autarquia dispõe de "alojamento próprio para cerca de 40 pessoas" para assegurar um espaço "condigno a quem está a fugir de uma guerra absolutamente injusta".
Pedro Nascimento Cabral adiantou que a maior autarquia dos Açores tem acionada uma logistica em termos de alimentação, de vestuário e alojamento quando for necessário intervir na chegada de refugiados da Ucrânia.
"A nossa capacidade é para cerca de 40 pessoas, acima disto vamos começar a ter dificuldades em acolher, sem estarmos devidamente articulados com outras entidades, designadamente com o Governo Regional dos Açores", disse o autarca.
A Rússia lançou a 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já causou pelo menos 564 mortos e mais de 982 feridos entre a população civil e provocou a fuga de cerca de 4,5 milhões de pessoas, entre as quais 2,5 milhões para os países vizinhos, segundo os mais recentes dados da ONU.
A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas a Moscovo.
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