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Proposta de paz vai ser apresentada à Rússia "nos próximos dias"

Documento acordado entre a Ucrânia e os EUA inclui garantias de segurança "equivalentes ao Artigo 5" da NATO, mas não refere cedências territoriais por parte de Kiev.

17 de dezembro de 2025 às 01:30

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou esta terça-feira que uma nova versão do plano de  paz norte-americano deverá ser apresentada à Rússia "nos próximos dias". A nova proposta inclui garantias de segurança "equivalentes ao Artigo 5" da NATO para a Ucrânia, mas deixa de fora a questão territorial, desconhecendo-se até que ponto será aceitável para Moscovo.

Segundo Zelensky, a proposta deverá ser finalizada nas próximas horas, para ser apresentada a Moscovo até ao final da semana pelos enviados do presidente norte-americano Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner. "Contamos apresentar cinco documentos, alguns dos quais relacionados com as garantias de segurança: serão juridicamente vinculativas, votadas e aprovadas pelo Congresso dos EUA", avançou o líder ucraniano, adiantando que "são equivalentes ao Artigo 5" da NATO, o qual determina que um ataque contra um Estado-membro dever se encarado como um agressão contra todos e merecedor de uma resposta comum.

Segundo fontes europeias, entre as garantias de segurança está a criação de uma "força multinacional" liderada pelos países europeus para ajudar as forças ucranianas a defenderem o seu território em caso de nova agressão, bem como "um compromisso legalmente vinculativo" dos europeus para "adotar as medidas necessárias para restaurar a paz e a segurança" em caso de um novo ataque russo e um "mecanismo de monitorização e verificação do cessar-fogo" que será liderado pelos EUA.

A Rússia, recorde-se, sempre rejeitou o envio de forças de países da NATO para a Ucrânia como uma "linha vermelha" num futuro acordo de paz. Os EUA manifestaram-se, no entanto, confiantes de que a nova proposta será aceite pelo presidente russo Vladimir Putin. "Estamos mais perto da paz do que nunca", disse o presidente Donald Trump na segunda-feira à noite, após discussões por videoconferência com Zelensky e vários líderes europeus reunidos em Berlim.

Fonte da delegação norte-americana afirmou que a nova proposta resolve "90% dos problemas", mas não aborda eventuais cedências territoriais, sobre as quais a decisão final "cabe aos ucranianos". Zelensky confirmou que o assunto foi discutido com os americanos, mas ainda não foi possível chegar a um consenso. "Um eventual acordo de paz não deve recompensar o agressor", reiterou o presidente ucraniano.

"Estamos entre a guerra e a paz", alerta nova diretora do MI6

A nova diretora dos serviços de informações britânicos (MI6), Blaise Metreweli, alertou na segunda-feira para os crescentes desafios colocados aos serviços de inteligência europeus pela ‘guerra híbrida’ russa, afirmando que são obrigados a atuar “numa zona entre a guerra e a paz” em que a linha da frente “está em todo o lado”. Segundo Metreweli, o uso crescente de “táticas de zona cinzenta” pela Rússia, incluindo assassinatos, atos de sabotagem, ciberataques e manipulação de informação potenciada por mecanismos de inteligência artificial criaram uma nova “era de incerteza” a nível internacional em que as regras dos conflitos estão a ser “reescritas em tempo real”, dando como exemplo a guerra na Ucrânia e as suas consequências. “A exportação do caos passou a ser uma característica da atuação russa”, avisou.

Gás russo “nunca mais”, diz a UE

A Comissão Europeia garantiu ontem que a decisão de acabar de vez com as importações de gás de petróleo liquefeito (GPL) russo a partir do outono de 2027 é definitiva e não haverá volta atrás. “Não se trata de uma decisão temporária ou limitada no tempo. O ‘não’ é para sempre”, garantiu o comissário da Energia, Dan Jorgensen.

Compensação

A Ucrânia e 35 países europeus aprovaram a criação de uma Comissão internacional de Compensação para a indemnizar o país pelos danos causados pela invasão russa. O novo organismo, criado sob a égide do Conselho da Europa, irá ficar sediado em Haia, nos Países Baixos. “O agressor deve pagar pelos danos causados”, defendeu Zelensky.

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