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Salários em atraso na Rússia duplicam devido à guerra na Ucrânia

Em dezembro de 2025, cerca de 14.700 russos não receberam os vencimentos a tempo. Representa um aumento de 6.500 trabalhadores em comparação com o período homólogo de 2024.

29 de maio de 2026 às 12:32

Os salários em atraso na Rússia mais do que duplicaram nos últimos anos devido à guerra na Ucrânia, ultrapassando dois mil milhões de rublos (24 milhões de euros), anunciou hoje a agência estatal de estatísticas.

Em dezembro de 2025, cerca de 14.700 russos não receberam os vencimentos a tempo, segundo o relatório da Rosstat, o organismo oficial de estatísticas da Rússia, citado pela agência de notícias espanhola EFE.

O número representa um aumento de 6.500 trabalhadores em comparação com o período homólogo de 2024.

O agravamento dos incumprimentos fixou-se em 1.134 milhões de rublos (cerca de 13 milhões de euros, ao câmbio atual), o valor registado mais elevado desde 2016.

Este aumento anual de 127% constitui um recorde absoluto nos 20 anos de registos da Rosstat, superando a fasquia dos 77% atingida durante a crise financeira global de 2009.

A agência estatística russa indicou que 87% dos atrasos se deve à falta de recursos de empregadores privados.

Os restantes 13% correspondem a empresas estatais, uma situação que a Rosstat associou ao défice orçamental das administrações regionais.

Perante este cenário, Moscovo perdoou as dívidas orçamentais de 68 das 89 regiões russas, calculadas em 440 mil milhões de rublos (5,3 mil milhões de euros), relativas ao exercício de 2024-2025, segundo o ministro das Finanças, Anton Siluanov.

Os orçamentos estatais da Rússia encontram-se deficitários no quinto ano de guerra com a Ucrânia, que o Presidente Vladimir Putin mandou invadir em fevereiro de 2022.

No final de 2025, a região siberiana de Iacútia, ou Saba, tornou-se a primeira a admitir a suspensão de pagamentos a combatentes russos devido à rutura de fundos.

A Rosstat detalhou que metade das regiões russas regista atualmente salários em atraso, destacando-se Krasnodar, Cacássia, Nijni Novgorod, Tver e Vologda.

Especialistas locais citados pela imprensa russa disseram que as dívidas estão a crescer devido à desaceleração da economia.

A situação é impulsionada pelas elevadas taxas de juro do Banco Central da Rússia, que limitam o acesso a créditos de curto prazo para financiamento de tesouraria.

A legislação russa prevê sanções administrativas e multas para as empresas, bem como processos criminais que podem resultar em penas de até cinco anos de prisão para os administradores morosos.

Ainda assim, os casos persistem e na bacia mineira de Kuzbass (Sibéria), uma empresa do setor do carvão deve mais de 256 milhões de rublos (cerca de três milhões de euros) aos trabalhadores.

A União Europeia, os Estados Unidos e outros aliados da Ucrânia têm decretado sucessivos pacotes de sanções a empresas e ao Estado russo para tentar diminuir a capacidade de Moscovo de financiar o esforço de guerra.

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