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Zelensky prevê medidas "difíceis" para cobrir défice orçamental 

Presidente da Ucrânia diz que "algumas medidas podem revelar-se difíceis mas, neste momento, sem elas, é impossível satisfazer plenamente as necessidades de defesa e resiliência do país".

15 de setembro de 2026 às 22:17

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, alertou esta terça-feira que será necessário adotar medidas "difíceis e impopulares" para cobrir o défice orçamental do país, sobrecarregado pelas despesas militares.

No seu discurso diário divulgado nas redes sociais, Zelensky antecipou a aprovação de sete projetos de lei - cujo conteúdo não detalhou, garantindo que "cada um deles é necessário para financiar o défice do orçamento do Estado".

"Algumas medidas podem revelar-se difíceis, desagradáveis e impopulares. Mas, neste momento, sem elas, é impossível satisfazer plenamente as necessidades da nossa defesa e garantir a resiliência da Ucrânia", declarou.

"O défice precisa de ser coberto (...) E peço a todos no nosso país que se mostrem igualmente eficazes em prol da Ucrânia", acrescentou o presidente ucraniano.

A Ucrânia, que depende em grande parte da ajuda financeira dos seus aliados ocidentais para travar a guerra contra a Rússia e financiar as suas despesas, enfrenta uma situação económica em deterioração.

O país está envolvido, há vários meses, numa escalada de ataques de longo alcance com Moscovo, o que levou à utilização antecipada --- ainda no primeiro semestre de 2026 --- de recursos inicialmente previstos para o segundo semestre, gerando um défice orçamental de 23 mil milhões de euros.

Os ataques russos atingiram duramente os setores da metalurgia e das exportações agrícolas, essenciais para a economia ucraniana.

Segundo Roksolana Pidlassa, presidente da Comissão de Orçamento do Parlamento ucraniano, cada dia de guerra custa 190 milhões de dólares (cerca de 165 milhões de euros) ao país, que não tem condições para suportar sozinho estes custos.

Zelensky tinha assegurado, em agosto, aos líderes europeus reunidos em Kiev, que o seu país "precisava de mais dinheiro, muito mais".

Os europeus já tinham acordado, no final de 2025, conceder um empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia para os anos de 2026 e 2027, para cobrir o défice orçamental ucraniano da época, tanto militar como civil.

Ao todo, a Ucrânia recebeu mais de 230 mil milhões de euros de países europeus e 115 mil milhões dos Estados Unidos desde 2022, devendo receber mais 160 mil milhões no futuro, segundo dados do instituto alemão Kiel.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e «desnazificar» o país vizinho, independente desde 1991 - após a desagregação da antiga União Soviética - e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.

No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda pelo menos quatro regiões - Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia - além da península da Crimeia, anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental).

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