Seleção Nacional defronta o Uzbequistão esta terça-feira.
Os portugueses a viver em Querétaro, no México, consideraram que o primeiro encontro de Portugal no Mundial foi "demasiado mau", mas estão esperançosos de que esta terça-feira os jogadores agarrem "metade da garra" que demonstrou Cabo Verde.
Em Santiago de Querétaro, a pouco mais de 200 quilómetros da Cidade do México e menos de metade da população da metrópole (pouco mais de três milhões e meio de habitantes), não se disputarão jogos do Campeonato do Mundial de Futebol no Estádio Corregidora, o principal da cidade, mas a comunidade portuguesa está agarrada aos ecrãs, em casa e nos restaurantes no centro histórico, que anunciam que vão transmitir os encontros da seleção das 'quinas'.
Cristiano Ronaldo encabeça a formação lusa e da Cidade do México até à capital deste estado semidesértico é possível encontrar murais pintados com o capitão da seleção portuguesa, crianças e adultos mexicanos com t-shirts de Portugal com o número sete estampado. Falar de Portugal no México, na rua ou em qualquer "taquería", é falar em Cristiano Ronaldo.
No entanto, o encontro inaugural frente à República Democrática do Congo (RDCongo) dececionou e para Jorge Ferreira foi a "eterna história da seleção nacional: uma equipa de egos, com alguns egos a criar mau ambiente".
"Não se consegue fazer um jogo de uma equipa unida e com garra, se tivéssemos metade da garra que tem Cabo Verde, tínhamos vencido o jogo", considerou o cidadão nacional a viver desde 2021 no México.
Em consonância com esta opinião, Hélder Fernandes, treinador de futebol e criador de uma academia de futebol em Santiago de Querétaro, disse à Lusa que o primeiro jogo foi "demasiado mau", considerando que houve "falta de atitude dos jogadores e do selecionador".
Bruno Nobre junta-se às críticas ao desempenho da seleção nacional e considerou que o apito inicial do campeonato para Portugal foi "uma desilusão", reconhecendo que em todo o lado "as expectativas são muito altas" para as cores nacionais portuguesas, incluindo entre os mexicanos.
No entanto, as opiniões divergem quanto ao que a formação das 'quinas' pode fazer nos próximos dois jogos, hoje contra a seleção uzbeque, e no próximo sábado, 27 de junho, frente à Colômbia.
"Com a mentalidade correta aliada à nossa qualidade futebolística, podemos trazer a taça para o nosso país", considerou Hélder Fernandes, enquanto Jorge Ferreira lamentou que "uma das melhores seleções deste mundial" tenha começado com uma "das piores exibições".
No entanto, o português emigrado no México opinou que os 11 que Roberto Martínez escolher para defrontar o Uzbequistão "vão querer vingar-se de todos os comentários e críticas" do encontro inaugural.
Bruno Nobre é o mais otimista dos três portugueses que conversaram com a Lusa e julgou o Uzbequistão "um adversário bastante fraco", por isso não espera "menos do que uma vitória".
Prognósticos ninguém arrisca, mas o Bruno Nobre pediu "um jogo agressivo no ataque", em contraciclo com o que considerou ser o encontro contra a formação congolesa.
Sobre a organização tricéfala deste campeonato, os dois adeptos de futebol portugueses estão de acordo: é preferível organizar tudo no mesmo país.
"Não tem sentido haver meia dúzia de jogos nos Estados Unidos da América e outra meia dúzia no Canadá, os estádios no Canadá são deploráveis, nem interesse têm [pelo futebol]", comentou Jorge Ferreira, acrescentando que também não tem "qualquer razão" realizar apenas 13 jogos no México.
Já Bruno Nobre disse que foi a "decisão acertada, porque o México, principalmente, não está preparado para organizar um mundial, nem tem os estádios para isso", ainda que o país já tenha acolhido sozinho duas outras edições (em 1970 e 1986).
No dia 27 de junho, último jogo da fase de grupos de Portugal, o Estádio Corregidora vai abrir as portas aos habitantes e vai fazer um convívio enfocado em Portugal, para a comunidade lusa a viver nesta cidade, que apesar de ser de menos de 100 habitantes em Querétaro promete acompanhar com o fervor de um estádio cheio a fase de grupos de Portugal, na esperança de que avance para a etapa seguinte do campeonato.
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