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Praças de cidades espanholas voltam a encher-se 16 anos depois para assistir à final do Mundial 2026

Espanha disputa este domingo, em New Jersey, Estados Unidos, a sua segunda final num campeonato do mundo de futebol, contra a Argentina.

19 de julho de 2026 às 19:43

Todos os caminhos este domingo em Madrid parecem desembocar na Praça Colombo, onde dezenas de milhares de pessoas se concentram confiantes de que verão Espanha ser campeã do mundo de futebol, 16 anos depois.

A menos de duas horas do início da final do Mundial2026, e sob 34 graus centígrados, dezenas de milhares de pessoas enchiam já esta praça no centro da capital espanhola, onde as 'T-shirts' do herói da seleção de Espanha de 2010, Andrés Iniesta, se misturavam com as do equipamento de 'La Roja' deste ano, com Yamine Lamal a ser o nome dominante.

"Lamine pode ser o herói deste ano, claro", disse Daniel à agência Lusa, envergando ele uma das camisolas da seleção espanhola de 2010 com Iniesta escrito nas costas.

Andrés Iniesta marcou o golo que deu a vitória a Espanha no mundial de 2010 na África do Sul, o único que o país conquistou até este domingo.

Espanha disputa este domingo, em New Jersey, Estados Unidos, a sua segunda final num campeonato do mundo de futebol, contra a Argentina, e quer que a história se repita, com as apostas daqueles que este domingo falaram à Lusa na Praça Colombo a inclinarem-se, maioritariamente, para uma vitória espanhola, como há 16 anos, por 1-0.

Daniel tem este domingo 22 anos e aquilo de que melhor se lembra nessa final de 2010 foi quando o pai, após o golo de Iniesta, o levantou pelas mãos no meio da sala e o rodou no ar.

"Fez-me a máquina de lavar", contou, explicando que por isso, mais tarde, procurou e conseguiu comprar uma das T-shirts da seleção de 2010 de Iniesta.

Foi essa a camisola que vestiu este domingo de manhã para apanhar o comboio desde Córdova, no sul de Espanha, rumo a Madrid, com mais três amigos. O objetivo é garantir que, em caso de vitória, a celebração se faz na capital, "com muita gente", e também ficar na cidade à espera do regresso a casa da equipa.

Mais do que as ruas de Madrid, parecem ser as de Espanha que este domingo desembocavam na Praça Colombo, com pessoas de vários pontos do país, maioritariamente jovens, a contarem que viajaram até à capital para ver nas ruas, entre milhares de pessoas, a final do Mundial2026.

Reportagens das televisões espanholas dão conta de ecrãs gigantes em espaços públicos de todo o país para acompanhar a final, em cidades grandes como Madrid ou pequenas localidades, como Tegueste, em Santa Cruz de Tenerife, a terra natal de Pedro e onde vivem 11.000 pessoas, ou Mataró, nos arredores de Barcelona, onde nasceu Lamine Yamal, há 19 anos.

"Acho que Lamine é um pouco o principal", justifica Ivan, de Valência, que tinha seis anos em 2010 e este domingo está na Praça Colombo de Madrid com a camisola de Yamal.

Mesmo que não saia de New Jersey como o herói da final do Mundial2026, Lamine Yamal já garantiu o papel de protagonista neste campeonato nos últimos dias em Espanha.

Além do desemprenho elogiado na competição, imagens de um Lamine Yamal de poucos meses ao colo do argentino Leonel Messi, feitas para um calendário da UNICEF e agora recuperadas por publicações na Internet e meios de comunicação social, têm deliciado quem as vê e alimentado inúmeros 'memes'.

Mas o Lamine Yamal de este domingo tem também sido protagonista pelo que diz. Numa conferência de imprensa antes do jogo que Espanha disputou com França neste mundial, coube-lhe a ele responder ao ex-primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy, que afirmou que a equipa adversária jogava "sem franceses", numa alusão à origem africana de vários jogadores.

As palavras de Rajoy, escritas numa coluna de um jornal, mereceram a indignação pública de vários ministros de França e de Espanha, que as consideraram racistas, e esta resposta de Lamine Yamal, cujos pais são imigrantes de Marrocos e da Guiné Equatorial: "Amanhã vamos jogar um dos jogos mais bonitos que se pode ter num mundial.

Penso que não há espaço para falar disso. O futebol, se serve para alguma coisa, é para integrar a sociedade e não há melhor do que França e nós, que somos exemplo de integração. O futebol, no final, é isso".

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