Do 'TikTok', projeto passou para a plataforma WhatsApp, com centenas de portugueses a entrarem no grupo diariamente.
Sozinho em Nova Iorque e longe da família, Dylan Fanico, um luso-americano de 23 anos, recorreu às redes sociais para mobilizar mais de mil adeptos portugueses e, assim, apoiar a Seleção Nacional "como se estivessem em Portugal".
Apesar de ter nascido no estado norte-americano da Virgínia, Dylan sempre manteve uma ligação muito forte com Portugal, onde os pais vivem atualmente e onde este jovem passava todas as férias de verão ao longo da infância.
Em entrevista à Lusa, Dylan, que se mudou recentemente para Nova Iorque para trabalhar na área de consultoria farmacêutica, contou que sentiu a necessidade de ver os jogos da Seleção Portuguesa de Futebol junto da comunidade portuguesa.
Como não tinha muitos amigos portugueses em Nova Iorque, decidiu fazer um vídeo na plataforma TikTok, há cerca de três semanas, a convidar os portugueses na cidade a juntarem-se a ele para acompanhar o percurso da 'Equipa das Quinas' no Mundial.
"Eu sou um rapaz que quando é para experimentar uma coisa, lanço-me de cabeça. Publiquei então esse vídeo e estava à espera de cerca de 20 pessoas, 30 pessoas a quererem juntar-se num bar para ver os jogos, mas acabaram por ser mais de mil", disse.
Do 'TikTok', o projeto passou para a plataforma WhatsApp, com centenas de portugueses a entrarem no grupo diariamente. Rapidamente, o jovem luso-americano percebeu que essa 'watch party' deveria ocorrer em torno do Portugal-Colômbia, o único jogo da fase de grupos agendado para um sábado, dia em que mais adeptos estão disponíveis para ver a partida.
Com o crescente interesse, Dylan Fanico começou a contactar bares que aceitassem um grande número de adeptos e procurou igualmente patrocinadores portugueses que ajudassem a tornar a experiência o mais lusitana possível.
Conseguiu então um bar no centro de Manhattan, que aceitou receber o evento em exclusivo, mas com um limite de cerca de 300 pessoas, muito abaixo dos mais de mil interessados em participar.
Dylan colocou então os bilhetes à venda na noite de quarta-feira e, para seu completo espanto, esgotaram em apenas dois minutos.
"Foi realmente incrível a rapidez com que esgotaram. Não estava nada à espera. Agora tenho mil e tal pessoas num grupo do WhatsApp, tenho um bar que tem espaço para 300 pessoas e posso disponibilizar-lhes bifanas, pastéis de nata e bar aberto", indicou, ao explicar o que está incluído no bilhete de 35 dólares (cerca de 30 euros), um valor apenas conseguido devido ao patrocínio de empresários portugueses.
"Isto é mesmo um trabalho de equipa. Eu posso ter sido o idealizador, mas precisei de muito apoio para fazer este projeto crescer e tornar-se neste momento lindo para os portugueses de Nova Iorque. O 'passa a palavra' foi muito importante", avaliou.
Apesar de ter conseguido esta mobilização em tempo recorde, Dylan contou à Lusa que foi um projeto bem delineado, em que traçou quatro objetivos: encontrar um sítio para o evento; disponibilizar comida portuguesa; trabalhar a componente de 'marketing' e imprensa; e conseguir fechar patrocínios.
"Eu sabia que conseguir comida e arrendar um bar seria muito caro. E eu não queria que os portugueses pagassem muito para entrar e ver um jogo de futebol. Eu não quero fazer dinheiro com isto, faço-o para juntar a comunidade. E também sabia que para fazer isso eu precisava de patrocinadores. Então, comecei a bater nesse ponto nos meus vídeos. Comuniquei, comuniquei, comuniquei", disse, entre risos.
Quanto mais portugueses se juntavam ao grupo, mas patrocinadores começaram a procurar o jovem luso-americano e a oferecer apoio a este projeto.
Mas Dylan Fanico não quer ficar por aqui e está já a projetar formas de manter estes portugueses de Nova Iorque em contacto mesmo após o final do Mundial, independentemente daquele que for o desfecho da Seleção Portuguesa de Futebol no torneio.
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