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MICRONOVELA

Pandora O poder não se mostra. Usa-se.

A revolução que colocou Salazar no Poder

07 de maio de 2026 às 12:20

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Em banca, :

Na sequência da revolução de maio de 1926, Salazar descia do comboio na estação do Rossio para tomar posse como ministro das Finanças. Tem 39 anos, completados ao outro dia da cerimónia. Já é o principal doutrinador do Centro Católico – e, em breve, será o fundador e o chefe incontestável do novo regime, feroz e sanguinário, saído da algazarra e da barafunda da I República. Manter-se-á no poder até 1968. Sobreviveu a um atentado, enfrentou intentonas, resistiu a golpes.

Salazar desembarca na estação do Rossio nas vésperas de tomar posse, a 27 de abril de 1928, como ministro das Finanças. Fará 39 anos, completados no dia seguinte ao da cerimónia. Afasta-se do seu mundo – da ruralidade do seu Vimieiro natal, das aulas na universidade, dos passeios à beira do Mondego, da atividade de jurisconsulto – e vem para Lisboa por «dever», a conselho dos amigos mais próximos, a fim de equilibrar as contas públicas, como se fosse um messias enviado para salvar a Pátria.

Salazar fez passar a ideia de que provinha de uma família pobre das Beiras. Os fiéis alimentaram o engano. O mito ficou para a História. A verdade é que as «origens humildes» de Salazar não eram assim tão acanhadas em rendimentos.

Salazar assume-se, ainda em Coimbra, como o mais influente doutrinador do movimento católico que tem um único e claro objetivo: intervir na política  para salvaguarda dos valores da Igreja.

A Ditadura Militar nasce da desordem em que os republicanos trazem o regime desde 1910. Salazar, a 10 de julho de 1921, é eleito deputado pelo Centro Católico Português, movimento fundado em 1917, sob a orientação do Vaticano, no sentido de os católicos participarem na política para a «recristianização da vida nacional». Apresentou-se no Parlamento. Mas não gostou da habitual algazarra. Fugiu espavorido. Queixar-se-ia mais tarde dos 90 escudos que inutilmente tinha gastado.

Cresce e consolida-se a autoridade do ministro das Finanças. O chefe do governo, o general Domingos de Oliveira, é, ao lado dele, uma mera figura decorativa. Salazar é o pensador, o inspirador, o impulsionador da nova ordem política.

Manteve-se ininterruptamente no poder durante longos 42 anos. Resistiu a tentativas de golpe, a conspirações, a ações revolucionárias. Caiu, por fim, traído por uma cadeira e uma trombose.

Dia 7 de maio, em banca com o seu Correio da Manhã.

 

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