Beatriz Gomes Dias reconheceu ter tido "bastante apoio" à medida que a campanha foi avançando.
Se as eleições refletissem a vontade dos comerciantes do mercado da Ribeira, a vitória estava certa no domingo para a candidata do BE à presidência da Câmara de Lisboa, Beatriz Gomes Dias, que se mostrou confiante num bom resultado.
"Tem sido assim em vários sítios", disse esta sexta-feira aos jornalistas no final da visita pelo mercado localizado no Cais do Sodré, onde foi bastante acarinhada pelos comerciantes que reconheceram ter sido a intervenção do Bloco de Esquerda a desbloquear algumas situações de apoio durante a pandemia.
Teresa e Carla revelaram à comitiva que agora o "Bloco já não é o Bloco, são aliados, uns amigos", o mesmo sentimento de Ermelinda Neves que guiou a candidata pelo mercado, apresentando aos companheiros de banca o rosto que concorre à Câmara de Lisboa.
Beatriz Gomes Dias explicou que os comerciantes, à semelhança de em outros mercados, apontaram como maiores dificuldades o estacionamento, quer para quem trabalha no mercado, quer para quem o visita, além de questões pontuais, como o elevador ou a insegurança, recentemente resolvida com mais policiamento municipal.
"Soubemos também o impacto da pandemia nos comerciantes e as soluções que foram difíceis de poder chegar, muitas com alguma discricionariedade numa primeira fase, pois algumas pessoas trabalhavam e não eram residentes em Lisboa, mas depois foi sendo ultrapassado", exemplificou a candidata.
Situado numa zona onde há poucos habitantes, o cliente típico do mercado da Ribeira é a restauração, que durante a pandemia também foi afetada pelo fecho dos estabelecimentos, ressentindo-se ainda mais os comerciantes, alguns dos quais já com meio século estabelecidos no local.
À passagem da comitiva e reconhecendo as bandeiras roxas, vermelhas e amarelas do partido, Benilde, peixeira de 82 anos, perguntou "é o Bloco da Catarina Martins não é?", ao que a candidata responde prontamente: "é sim senhora".
Beatriz Gomes Dias reconheceu ter tido "bastante apoio" à medida que a campanha foi avançando, confessando que os últimos 15 dias têm sido "extremamente entusiasmantes".
"Temos estado na rua sempre acompanhadas pelos militantes e pessoas [candidatos] das freguesias. [O apoio] tem vindo a crescer. Na primeira semana, sentia-me, não é tímida, mas não estava tão à vontade. À medida que foi decorrendo fui ficando mais à vontade e as pessoas tratam-me com imensa cordialidade, tem sido muito entusiasmante", sublinhou a candidata.
Beatriz Gomes Dias referiu estar "ansiosa" para que chegue domingo "para saber o resultado" que o partido vai ter.
"As pessoas conhecem o Bloco porque o trabalho que fizemos nos últimos quatro anos, como se viu aqui, foi extremamente importante. Estabelecemos uma relação com as pessoas, foi possível responder ou resolver problemas concretos", frisou.
E reconheceu: "Esse legado suporta-me. As pessoas reconhecem o trabalho que o Bloco fez, começam a conhecer-me e associar a minha candidatura a uma continuidade do que foi feito".
Como expectativa, Beatriz Gomes Dias mostrou-se confiante em reforçar a votação, justificando que tal "será muito importante para a cidade", permitindo reforçar o trabalho já desenvolvido e, de novo, estabelecer um acordo programático com o PS, "se este ganhar sem maioria".
"Eu serei eleita vereadora e o meu compromisso com as pessoas é continuar o trabalho que nós fizemos", assegurou.
Beatriz Gomes Dias fez ainda passagem pela "greve climática", o protesto estudantil que sai à rua às sextas-feiras durante o ano letivo, frisando a necessidade de "responder às alterações climáticas que não são uma fantasia ou ficção que está a ser criada".
"Temos dito que é fundamental reduzir número de carros nas cidades, é nefasto para o ambiente e para as pessoas, envenena o ar, altera a composição da atmosfera com impactos na saúde, para além dos incómodos, de engarrafamentos, andar à procura de lugar de estacionamento", afirmou.
"Precisamos de menos carros, mais espaços verdes, mais incentivos ao uso de bicicleta, zonas sem carros. Temos de mudar a modalidade de forma radical para responder à crise climática", reconheceu a candidata, cujo programa tem na sua agenda esta preocupação.
Na corrida à presidência da autarquia estão, além de Beatriz Gomes Dias, o atual presidente, Fernando Medina (coligação PS/Livre), Carlos Moedas (PSD/CDS-PP/PPM/MPT/Aliança), João Ferreira (CDU), Bruno Horta Soares (IL), Nuno Graciano (Chega), Manuela Gonzaga (PAN), Tiago Matos Gomes (Volt Portugal), Ossanda Líber (Movimento Somos Todos Lisboa), Sofia Afonso Ferreira (Nós, Cidadãos!), Bruno Fialho (PDR) e João Patrocínio (Ergue-te).
As eleições autárquicas realizam-se no domingo.
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