Projeto nasceu em 2015 com apenas meia dúzia de cooperantes. Hoje conta com mais de 150 e com uma fatura bruta de cerca de um milhão de euros por ano.
'Minga': A cooperativa em Montemor-o-Novo que pretende sustentar a economia local
"Na natureza nada se perde, tudo se transforma". A frase, do químico francês Antoine Lavoiser, é levada a sério pela cooperativa Minga, que desde 2015 sustenta uma economia local e circular.
A Minga é um projeto autofinanciado que vive principalmente do entusiasmo dos seus membros que tanto podem produzir como consumir. Apresenta um crescimento de ano para ano, quer no volume de faturação, quer na diversidade de empresas e empresários que representa.
Nasceu pela necessidade de algumas pessoas, que precisavam de trabalhar e de sair da precariedade. A solução foi encontrada em forma de cooperativa, uma espécie de "holding" empresarial, em que o critério é simples: ser uma empresa ou empresário local- Montemor-o-Novo-, ter práticas amigas do ambiente e ser uma atividade que acrescente valor ao conjunto dos bens e serviços já inseridos nesta cooperativa. E a partir daí a Minga tem sido um caso de sucesso, um crescimento constante de ano para ano, quer no volume de faturação, quer na diversidade de empresas e empresários que representa.
São arquitetos, engenheiros eletrotécnicos, mas também o "senhor João da horta", que produz a pedido e para as necessidades da cooperativa, o pequeno artesão que trabalhava a lã ou a cerâmica, e empresas já de média dimensão, como o gabinete de contabilidade que serve a própria cooperativa e os cooperantes.
Cooperativa Minga pretende sensibilizar a sociedade sobre os negócios locais em Montemor-o-Novo
Para a economia local foi uma "pedrada no charco". No interior do Alentejo, projetos destes fazem acreditar que é possível e, mais do que isso, a cooperativa Minga promove uma economia consciente e com boas práticas ambientais. Os parceiros são escolhidos com base nas necessidades que são identificadas.
A casa de pessoas da terraA cooperativa Minga nasceu em 2015 com apenas meia dúzia de cooperantes. Hoje tem mais de centena e meia, com as atividades mais diversas, e uma dezena de trabalhadores diretos, com uma fatura bruta de cerca de um milhão de euros por ano. Mais do que uma cooperativa empresarial, a Minga é a casa de muitos pequenos agricultores e artesãos de terra.
As hortícolas vendidas na loja vêm dos campos de Montemor e são plantaas pelas necessidades de consumo da própria cooperativa. Os excedentes também não são desperdiçados e muitas das compotas vendidas têm como matéria-prima esses excedentes.
Detergente vendido é parceriaO detergente vendido na loja da cooperativa localizada em Montemor-o-Novo, no distrito de Évora, é uma parceria com a Greendet, uma empresa de Coimbra que desenvolveu estes detergentes amigos do ambiente. Podem ser adquiridos ao litro e, assi, é possível levar-se apenas aquilo que é necessário.
Entrevista a André Pereira, membro da direção da Cooperativa Minga
Como foi o processo para criar a cooperativa?Eramos um grupo de pessoas com valências múltiplas que precisava de trabalhar, de prestar serviços e de integrar no mercado de trabalho. Ou criávamos cada um uma empresa, ou criávamos qualquer coisa diferente que pudesse agregar isso tudo. O cooperativismo não era novidade para nós.
Como é que tudo isto funciona?Na prática, os cooperantes fornecem o serviço ou produto e a fatura é passa pela cooperativa, que cobra 5% dessa fatura, sendo que o restante fica retido na conta de cada cooperante. A qualquer momento, faz-se o encontro de contas.
E quanto ao futuro?Queremos também intervir no urbanismo, um problema atual e que na zona onde estamos ainda não é agonizante, mas penso que já é necessário estarmos prontos para isso. Queremos criar habitações .
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