Derrota histórica dos socialistas
A jornada eleitoral de ontem em Espanha castigou duramente os socialistas do primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero, que perderam até para os rivais do Partido Popular (PP) em regiões e municípios tradicionalmente do PSOE, casos das câmaras de Barcelona e Sevilha e das regiões da Extremadura e Castela-La Mancha. <br/><br/>
A apenas nove meses das legislativas do próximo ano, o castigo aos socialistas é expressivo, cifrando-se, numa contagem geral, em cerca de 10 pontos percentuais: 37,34% para o PP e 27,84% para o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).
No PP, a euforia da vitória reforçou as vozes que pedem a demissão do governo e a antecipação das eleições que, a realizarem-se agora, transformariam o líder popular Mariano Rajoy no incontestado novo primeiro-ministro.
Outro vencedor da noite foi a Esquerda Unida (IU), que obteve, num balanço geral, 6,30% dos votos, mais um por cento do que em 2007.
No País Basco, que votou somente para as municipais, a formação nacionalista Bildu estreou-se com claro sucesso ao superar em número de votos o Partido Nacionalista Basco (PNV).
O descalabro socialista, que reflecte o descontentamento com a gestão da crise e com o recorde de cinco milhões de desempregados, fez com que até Castela-La Mancha, que há mais de 32 anos era socialista, tenha adoptado o azul do PP. O mesmo cenário verificou-se na Extremadura, outro reduto socialista. Com 70% dos votos escrutinados, o PP superava em quatro pontos percentuais o PSOE.
Na Câmara de Barcelona, socialista há também 32 anos, os nacionalistas da Convergência e União (CiU) triunfaram, obtendo 28%, contra 22% do PSOE e 17% do PP. A CiU ficou assim com o poder do governo regional e local.
Refira-se que os ‘indignados’ não aumentaram a abstenção, que aumentou até 2% face a 2007 e cifrou-se em 65,85%.
MOVIMENTO DOS 'INDIGNADOS' FICA MAIS UMA SEMANA
O movimento cívico dos ‘indignados’ decidiu permanecer na Puerta del Sol, em Madrid, "pelo menos mais uma semana". A ideia será seguida noutras cidades, casos de Valência, Sevilha, Palma de Maiorca, Vitória e Bilbau. Esta decisão representa, ainda assim, um recuo em relação a uma proposta inicial, que previa permanência "por tempo indefinido", até ver "cumpridos os objectivos" da plataforma ‘Democracia Real Já’. Apesar da determinação em prosseguir, é notório o desgaste de uma semana de luta e a incerteza quanto às alternativas a sugerir ao sistema político-partidário vigente. Mas uma coisa parece certa, como frisou a Comissão de Comunicação: "Somos um símbolo, por isso é preciso continuar." O receio é de que o fim dos protestos anule tudo: "Se partirmos, não acontecerá nada, nada mudará."
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