EUA enviam 840 mil euros em ajuda humanitária face às cheias em Moçambique

Mais de 150 mil casas foram inundadas bem como quase 230 unidades sanitárias e mais de 360 escolas.

26 de janeiro de 2026 às 11:18
Cheias em Moçambique forçam pessoas a usar barcos para se locomoverem Foto: LUÍSA NHANTUMBO/Lusa_EPA
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O Governo dos Estados Unidos da América (EUA) anunciou esta segunda-feira a entrega a Moçambique de assistência humanitária no valor de 840 mil euros, face às "devastadoras inundações", que já afetaram mais de 650 mil pessoas.

"Os EUA estão a entregar um milhão de dólares [840 mil euros] em assistência de resposta a desastres para o povo de Moçambique, após as devastadoras inundações", lê-se numa mensagem da Assistência Externa, do Departamento de Estado.

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"Esse financiamento apoiará o fornecimento de alimentos e água, saneamento e assistência de higiene para pessoas necessitadas em áreas fortemente afetadas", acrescenta-se na mensagem, publicada na rede social X.

Esta segunda-feira chegou a Maputo um avião humanitário transportando 88 toneladas de suprimentos essenciais, financiados pela União Europeia, que serão distribuídos aos afetadas pelas cheias pelas equipas do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em Moçambique.

Os suprimentos, avaliados em 552 mil dólares (465,5 mil euros), incluem materiais de saúde, água, saneamento e higiene, nutrição, educação e proteção da criança, assim como tendas que serão utilizadas para criar "espaços seguros para crianças", clínicas de saúde temporárias e outros serviços essenciais nas áreas mais afetadas pelas cheias, segundo o Unicef.

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Mais de 150 mil casas foram inundadas em Moçambique nas cheias deste mês, bem como quase 230 unidades sanitárias e mais de 360 escolas, segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

De acordo com a base de dados do INGD, a que a Lusa teve acesso, com informação até às 07h00 (05h00 de Lisboa) desta segunda-feira, as cheias que se registam em vários pontos do país afetaram já 652.189 pessoas, equivalente a 141.317 famílias, com registo de 3.445 casas parcialmente destruídas, 767 totalmente destruídas e 153.417 inundadas.

Os dados do INGD referem ainda 45 feridos e quatro desaparecidos na sequência destas cheias em menos de 20 dias, numa altura em que centenas de famílias continuam sitiadas, a aguardar resgate, sobretudo no sul de Moçambique.

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Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas duas semanas de cheias, já morreram 131 pessoas em Moçambique, além de 144 feridos, e 779.528 pessoas foram afetadas, segundo os dados do INGD.

Até 16 de janeiro, era referido o total de 103 óbitos e 173 mil pessoas afetadas desde o início da época das chuvas em Moçambique (que vai de outubro a abril), avançou nesse dia o Governo, decretando de seguida o alerta vermelho nacional.

Segundo os dados desta segunda-feira, estão atualmente ativos 99 centros de acomodação, com 99.907 pessoas, incluindo 19.556 que tiveram de ser resgatadas. Nesta atualização, contabiliza-se ainda que foram afetadas, desde 07 de janeiro, 229 unidades sanitárias e 364 escolas, três pontes e 1.336 quilómetros de estrada.

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No registo do INGD aponta-se ainda para 285.720 hectares de área agrícola afetados, colocando em causa a atividade de 214.046 agricultores, além da morte de 325.578 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.

Esta segunda-feira prosseguem ações e tentativas de resgate de centenas de famílias que continuam sitiadas pelas cheias, algumas refugiadas em telhados de casas, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique, resultado das fortes chuvas durante vários dias, que têm levado as barragens, incluindo dos países vizinhos, a realizarem descargas, por falta de capacidade de encaixe.

Estão envolvidos nestas operações mais de uma dezena de meios aéreos, incluindo da África do Sul, bem como embarcações privadas e da Marinha de Guerra.

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Em Maputo, as estradas Nacional 1, para norte, e Nacional 2, para sul, continuam intransitáveis, devido à subida das águas.

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