Don Lemon diz que a sua detenção teve como objetivo "intimidá-lo" por fazer jornalismo

Jornalista ex-CNN foi detido na quinta-feira por alegadamente ter protestado de forma indevida contra atuação do ICE no Minnesota.

04 de fevereiro de 2026 às 00:09
Don Lemon acusa administração Trump de intimidação Foto: John Nacion/AP
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O jornalista Don Lemon, ex-apresentador da CNN, afirmou numa entrevista que a recente operação para detê-lo foi "um desperdício de recursos", porque a sua prisão era "desnecessária" e teve como objetivo "intimidá-lo" por fazer jornalismo.

Lemon foi detido na noite de quinta-feira quando estava a fazer a cobertura jornalística dos preparativos para a cerimónia dos Prémios Grammy e foi libertado no dia seguinte por ordem judicial, sem necessidade de pagar fiança em dinheiro e com permissão para viajar dentro e fora do país.

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Numa entrevista ao programa noturno "Jimmy Kimmel Live!", o jornalista disse que "não havia necessidade de enviar agentes", uma vez que já tinha comunicado a sua intenção de se entregar por conta própria.

Segundo aquele profissional da comunicação, cerca de 12 agentes federais compareceram na semana passada no seu hotel em Los Angeles para prendê-lo, apesar de o seu advogado ter informado previamente as autoridades que ele estava disposto a entregar-se voluntariamente para enfrentar acusações por supostas violações dos direitos civis.

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"Não era uma situação em que eu estivesse a fugir ou a esconder-me", afirmou, acrescentando que a forma como a prisão foi realizada teve como objetivo envergonhá-lo e intimidá-lo.

O jornalista explicou que estava a caminhar em direção ao elevador do hotel quando várias pessoas o agarraram "de repente" para algemá-lo.

Lemon explicou que pediu aos agentes que se identificassem e mostrassem o mandado de prisão, mas inicialmente estes responderam que não o tinham. Depois, chamaram um agente do FBI (Federal Bureau of Investigation), que compareceu no local para lhe mostrar a ordem de prisão no ecrã de um telemóvel.

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Os factos remontam ao passado dia 19 de janeiro, quando Lemon fez a cobertura de um protesto, em que um grupo de manifestantes interrompeu um serviço religioso numa igreja de Saint Paul (Minnesota) para se manifestar contra o pastor, que também trabalha para o Serviço de Imigração e Controlo Aduaneiro (ICE), e entoaram 'slogans' como "Fora ICE!".

O Departamento de Justiça do governo de Donald Trump tentou apresentar acusações contra oito pessoas, incluindo Lemon, invocando uma lei federal que protege aqueles que participam em serviços religiosos e locais de culto.

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O jornalista foi acusado de conspiração para violar direitos constitucionais e de violar a Lei FACE, que proíbe interferir, através do uso da força ou ameaças, no direito de uma pessoa praticar a sua religião.

No entanto, um juiz que analisou as provas apenas autorizou as acusações contra três pessoas e rejeitou as apresentadas contra Lemon e outros acusados por considerá-las insuficientes.

Na entrevista, Lemon insistiu que não tinha qualquer ligação com o grupo que invadiu o serviço religioso e que estava presente apenas "como jornalista, para documentar o que estava a acontecer".

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O jornalista também afirmou que lhe foi negada a possibilidade de fazer uma chamada telefónica durante a sua detenção e que permaneceu detido numa sala do tribunal federal desde a meia-noite até à uma da tarde do dia seguinte.

Jimmy Kimmel referiu-se a Lemon como alguém "preso por exercer o jornalismo", num contexto marcado pelo debate sobre a liberdade de expressão nos Estados Unidos.

Após ser libertado, o jornalista declarou que "não será silenciado" e sublinhou que não desistirá do seu trabalho informativo, apesar das acusações.

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