Farmácias italianas distribuem kits gratuitos a mulheres para detetar drogas na bebida
Um total de 1.500 kits serão distribuídos gratuitamente em Roma e outros 2.500 em Veneza, segundo a associação Federfarma, que promove a iniciativa.
Farmácias em Itália começaram a distribuir a mulheres kits gratuitos de deteção de drogas nas bebidas, iniciativa por ocasião do Dia Internacional da Mulher que visa prevenir violações e aumentar a consciencialização sobre o assédio sexual facilitado por drogas.
Um total de 1.500 kits serão distribuídos gratuitamente em Roma e outros 2.500 em Veneza, segundo a associação Federfarma, que promove a iniciativa.
O objetivo é alertar para os riscos do chamado "assédio sexual facilitado por drogas" nos bares e discotecas, ou seja, a administração de drogas a uma pessoa sem o seu consentimento para a incapacitar ou diminuir a sua vontade, possibilitando o roubo ou a agressão, incluindo a agressão sexual.
Estes dispositivos permitirão às mulheres italianas detetar a presença de drogas ou sedativos, como a cetamina ou o GHB, nos seus cocktails ou bebidas.
O kit consiste numa tira de papel que reage caso o teste seja positivo: se mudar de cor ao entrar em contacto com a bebida, o melhor é descartar o cocktail.
A iniciativa, denominada "Il sentido non si sciogle in un drink" (O consentimento não se dissolve numa bebida), foi lançada para assinalar o 08 de março, Dia Internacional da Mulher.
Foi também lançada em 25 de novembro, Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres.
"O consentimento é um princípio essencial em qualquer relação e não pode ser questionado. Prevenir significa também consciencializar, ouvir o outro e disponibilizar ferramentas úteis e acessíveis a todos", sublinhou à agência Efe o presidente da Federfarma Roma, Andrea Cicconetti, que elogiou a importância das farmácias.
No seu entender, as farmácias não são apenas estabelecimentos de saúde, mas também um ponto de referência no dia-a-dia das pessoas, locais capazes de "intercetar problemas, orientar os cidadãos e contribuir para a prevenção tanto na saúde como no bem-estar social".
Por esse motivo, os farmacêuticos italianos foram também formados para receber possíveis denúncias de violência por parte dos seus clientes, uma funcionalidade ativada desde o início da pandemia quando alguém utiliza uma mensagem codificada do outro lado do balcão: "Quero uma máscara 1522".
O 08 de março em Itália este ano será novamente marcado por manifestações feministas em várias cidades, exigindo igualdade e um quadro legal mais seguro para as mulheres (2025 terminou com 84 femicídios, segundo o Observatório "Non Una Di Meno").
As reivindicações coincidirão também com a tramitação de um projeto de lei sobre a violência sexual, inicialmente aprovado por todos os partidos, mas em que, no final, o Governo de direita eliminou o princípio do "consentimento" da vítima.
Em 28 de fevereiro, milhares de pessoas marcharam em Roma para denunciar esta alteração à lei e afirmar que o sexo "sem consentimento é violação".
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