Acidente ferroviário de Adamuz: sistema detetou rotura na via no dia anterior

Sistema não estava devidamente configurado para disparar alerta. Acidente provocou a morte de 46 pessoas e fez centenas de feridos.

09 de abril de 2026 às 01:30
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O sistema automático de monitorização da linha de alta velocidade entre Madrid e a Andaluzia detetou uma rotura na via no dia anterior ao trágico acidente ferroviário de Adamuz, que causou a morte de 46 pessoas e feriu centenas de outras, em janeiro, mas não estava devidamente configurado para lançar um alarme, revela o último relatório da investigação.

De acordo com o relatório, citado pelo jornal espanhol 'El Mundo', o sistema de monitorização detetou no dia 17 de janeiro - quase 22 horas antes do acidente -  uma "alteração" na corrente elétrica do carril "compatível com uma rotura". No entanto, não foi acionado um alarme que poderia ter evitado o trágico descarrilamento do comboio Iryo proveniente de Málaga, que saltou dos carris e foi abalroado pelo comboio Alvia proveniente de Madrid que circulava na via contrária.

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Segundo os investigadores de acidentes ferroviários, o sistema de monitorização faz passar uma corrente contínua de 2 volts nos carris. No dia 17 de janeiro, essa corrente caiu para os 1,5 volts, o que os investigadores consideraram "compatível com uma rotura". No entanto, o sistema só estava configurado para disparar o alarme se a tensão caísse abaixo dos 0,780 volts. Os investigadores questionam agora se era "tecnicamente possível" configurar o sistema para atuar com valores superiores, aludindo à duração prolongada da queda de tensão e à "gravidade das consequências".

O mesmo relatório descarta ainda a possibilidade de o acidente ter sido provocado por sabotagem, terrorismo, excesso de velocidade, negligência ou erro humano.

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