Mais sobreviventes de avalanche encontrados
Pelo menos 10 pessoas encontradas com vida nos escombros do hotel Rigopiano, em Itália.
As equipas de resgate italianas conseguiram localizar com vida cinco pessoas no interior do hotel Rigopiano, que ficou soterrado de neve após uma avalanche, em Farindola, após quase dois dias debaixo da neve. Foi depois encontrado outro grupo de cinco sobreviventes. Quatro crianças e uma mulher foram resgatados dos escombros.
Uma das sobreviventes é a mãe de um menino resgatado, que se tratam da mulher e do filho de Giampero, o cozinheiro que estava fora do hotel na altura da tragédia e sobreviveu. "A minha filha está na sala do lado", informou Adriana Vranceanu, alertando os bombeiros para que a pequena Ludovica, de seis anos, poderá estar viva. "Abracei o meu filho e a minha mulher. Mas a minha Ludovica ainda lá está", disse Giampero, o primeiro sobrevivente da tragédia.
"Foi um momento muito emocionante quando os encontrámos. Eles não queriam acreditar, ficaram de lágrimas nos olhos", contam os bombeiros.
Os bombeiros resgataram os cinco primeiros sobreviventes, que foram transportados de helicóptero para o hospital.
No outro grupo de sobreviventes encontrados está uma mulher e duas crianças. Os bombeiros anunciaram depois ter retirado três crianças dos escombros.
Uma das crianças encontradas com vida será Edoardo, filho de Sebastiano Di Carlo e da sua mulher, Nadia, confirmou a tia do menino. "É um milagre, um sentimento indescritível. Encontraram o meu sobrinho. Só quero chegar a ele", afirmou a irmã de Sabastiano, Simona Carlo. Os pais da criança não terão sobrevivido.
Os sobreviventes terão tentado encontrar algo para comer na zona a cozinha do hotel. Quando fizeram uma fogueira para se aquecerem, os bombeiros detetaram fumo e conseguiram encontrá-los.
Dois dos cães que pertenciam ao hotel também sobreviveram e foram salvos pelos bombeiros, e retirados dos escombros do hotel.
Os sobreviventes começaram a ser retirados dos escombros do hotel após terem sido enviados cinco helicópteros do aeroporto de Pescara com cobertores e outro material de socorro. A mãe e o filho foram resgatados e levados para hospitais diferentes, a mulher foi para o Hospital de Pescara e o menino para o de Áquila.
Os bombeiros conseguiram falar com os sobreviventes, que se refugiaram num piso superior do hotel Rigopiano, na zona da cozinha.
Desde a manhã de quinta-feira foram recuperados dois corpos e pelo menos um outro localizado, mas as operações de salvamento e resgate avançam lentamente devido ao receio de provocar deslizamentos de terra, o que poderia colocar em risco as operações de resgate.
O autarca de Farindola, Ilario Lacchetta, estimou em 30 pessoas o número de pessoas no interior do hotel: 24 hóspedes, incluindo quatro crianças, e 12 funcionários.
O hotel Rigopiano, no maciço de Gran Sasso, a 1.300 metros de altitude, na cordilheira dos Alpeninos, fica a cerca de 45 quilómetros da cidade costeira de Pescara.
Os corpos das vítimas foram transportados para a morgue do hospital de Pescara, onde o Ministério Público abriu um inquérito por homicídio involuntário.
As equipas de resgate seguiram para o local depois de receberem na quarta-feira mensagens de texto que alertavam para uma avalanche no hotel, mas as condições meteorológicas adversas, com vários nevões e mais de cinco metros de neve acumulada, dificultaram o acesso ao local.
As primeiras equipas de salvamento resgataram dois hóspedes que se encontravam no exterior do hotel e que se refugiaram no interior de um veículo, conseguindo desta forma alertar as autoridades.
Segundo os primeiros testemunhos das equipas de socorro, o hotel Rigopiano estava completamente soterrado na neve, parcialmente derrubado, sendo visíveis algumas luzes no interior.
De acordo com os 'media' italianos, o inquérito visa compreender por que razão inúmeros clientes, que pretendiam regressar a casa na quarta-feira após uma série de fortes sismos, esperaram em vão pela chegada de um limpa-neves para desbloquear a estrada.
Isto porque os testemunhos de pessoas próximas das vítimas afirmaram que as autoridades demoraram demasiado tempo a acreditar nelas, apesar de terem dado o alerta por volta das 17:40 (menos uma hora em Lisboa), o que os socorristas desmentem.
A estrada estava bloqueada por mais de um metro de neve, tendo os primeiros socorristas chegado ao local durante a noite.
(Em atualização)
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