Aliados agravam ainda mais a crise na campanha presidencial de filho de Bolsonaro após fuga de mensagens
Flávio Bolsonaro é candidato às presidenciais que acontecem no Brasil em outubro.
Como se já não bastasse a gravidade da revelação de que tinha uma estreita e promíscua relação pessoal e de negócios com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por uma infindável sucessão de burlas no mercado financeiro, o senador Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, viu a sua até agora exitosa campanha rumo às presidenciais de outubro afetada também por aliados. As sondagens mais recentes, divulgadas antes do vazamento de dados armazenados no telemóvel de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal, mostravam Flávio Bolsonaro tecnicamente empatado em primeiro lugar numa eventual segunda volta das presidenciais com o eterno candidato e atual presidente, Lula da Silva, mas com uma ligeira vantagem numérica.
Nas mensagens, vazadas no final de quarta-feira e que começaram a repercutir fortemente na quinta, Flávio, que até aí afirmava nem conhecer Vorcaro, trata o banqueiro preso como “mê irmãozinho”, e pede-lhe sem disfarces milhões de euros supostamente para financiar o filme “Dark Horse”, rodado no Brasil e nos EUA sobre a vida e a trajectória política do pai, Jair Bolsonaro. Após inicialmente negar as mensagens, Flávio voltou atrás, reconheceu que conhece Daniel Vorcaro e que lhe pediu dinheiro, mas acrescentou não haver qualquer ilegalidade nisso, foi uma relação comercial em busca de um investidor para a producção cinematográfica, e tudo ocorreu, salientou, no âmbito privado, não havendo dinheiro público envolvido.
Mas a situação do senador, principalmente as suas aspirações presidenciais, foram complicadas por aliados dele e do pai, que desmentiram a versão de Flávio para tentarem distanciar-se o mais possível de Daniel Vorcaro, o inimigo público número 1 do Brasil desde que se descobriu que o seu Banco Master aplicou aquela que talvez seja a maior fraude já descoberta no sistema financeiro do Brasil e que mantinha pagamentos milionários a juizes e políticos em troca de protecção e favores. O roteirista do filme de Bolsonaro, o actor Mário Frias, que no governo do ex-presidente foi secretário da Cultura, foi um dos primeiros a desmentir Flávio e afirmou que nunca solicitou nem recebeu qualquer valor de Vorcaro para a producção da obra cinematográfica.
Em seguida, a empresa produtora do polémico filme também veio a público garantir que nenhum dinheiro de Daniel Vorcaro tinha sido recebido para financiar a obra, que teria sido totalmente subsidiada por dezenas de pequenos investidores. Culminando os azares de Flávio, o próprio irmão, Eduardo Bolsonaro, refugiado nos EUA desde Fevereiro do ano passado, alvo de investigações no Supremo Tribunal Federal (STF), e à conta de cujo advogado no Texas teriam sido enviados os recursos, desmentiu informações de que seria um dos beneficiários desses montantes milionários para conseguir manter-se nos Estados Unidos, pois foi expulso da Polícia Federal, onde era escrivão de carreira, e teve anulado o seu mandato de deputado federal por excesso de faltas. (FIM).
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