Anvisa publicou a proibição e recolhimento de 23 produtos líquidos da Ypê por "descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo".
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do Brasil manteve esta sexta-feira a suspensão de produtos da fabricante de produtos de limpeza Ypê, após uma semana de ataques de Bolsonaristas em defesa da empresa.
A decisão unânime da diretoria colegiada do órgão atinge vários produtos da marca: detergentes lava-louças líquidos, sabões líquidos para roupas e desinfetantes.
Ao votarem, os diretores da Anvisa afirmaram que as medidas adotadas pela fabricante foram "insuficientes" e citaram um "histórico recorrente de contaminação microbiológica".
Um dos principais problemas identificados pela Anvisa, é a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa, que é resistente a antibióticos e pode causar infeção urinária até infecção respiratória em pessoas que têm problemas de pulmão crônicos.
No último dia 07, a Anvisa publicou a proibição e recolhimento de 23 produtos líquidos da Ypê por "descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo".
O órgão disse, à época, que houve "falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade".
Mas a medida foi temporariamente suspensa, após a fabricante apresentar recurso, o que é assegurado por lei, fazendo com o que o caso fosse reanalizado.
Apesar de manter a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso dos produtos, os diretores da Anvisa suspenderam nesta sexta-feira a obrigação de recolhimento imediato dos lotes dos produtos da Ypê.
Agora, a fabricante terá que apresentar um plano de ação baseado em análise de risco para o recolhimento dos produtos, permitindo acompanhamento técnico e eventual libertação gradual dos lotes.
"Até que seja iniciado, a recomendação é que as pessoas não usem os itens suspensos e mantenham esses produtos lacrados ou bem fechados em local seco e ventilado", informou a Anvisa em comunicado.
A Ypê já disponibilizou no seu sítio web um formulário para consumidores solicitarem o reembolso de produtos.
Nos últimos dias, o tema de vigilância sanitária no país acabou a virar pauta política, de polarização e de desinformação na 'internet'.
Nas redes sociais, apoiantes do ex-presidente Jair Bolsonaro acusaram o Governo brasileiro de promover uma perseguição política contra a empresa, associando a medida sanitária a supostas motivações ideológicas.
A suposta perseguição política, segundo os bolsonaristas, é porque integrantes da família que controla a marca de produtos de limpeza doaram dinheiro para a campanha de reeleição de Jair Bolsonaro, em 20202.
Políticos bolsonaritas também publicaram vídeos nas redes a lavar louças com o detergente em defesa da marca, enquanto políticos de esquerda ironizaram nas publicações a atitude da oposição e de pessoas que "bebiam" o produto.
O tema viralizou ainda mais na 'internet' quando pessoas passaram a publicar vídeos a simular o consumo de detergente e de lavar frango com o produto, numa tentativa de ironizar os alertas sanitários e contestar a atuação da Anvisa.
Os conteúdos viralizaram em plataformas digitais e provocaram preocupação entre autoridades de saúde do Brasil devido ao risco de incentivo a comportamentos perigoso.
Perante a repercussão, o ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, veio a público pedir que a população não ingerisse detergentes ou quaisquer produtos de limpeza, sublinhando os riscos graves para a saúde humana.
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