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Ondas de calor vão continuar e tornar-se mais intensas devido ao aquecimento global

Temperatura média global da atmosfera à superfície tem aumentado e está próximo de 1,5 graus celsius a mais do que no período pré-industrial.

01 de julho de 2026 às 17:12

As ondas de calor têm tendência para aumentar e para se tornarem mais intensas e frequentes, porque a temperatura média do ar está a aumentar a nível global, disse à agência Lusa o climatologista Filipe Duarte Santos.

"Vamos continuar a ter ondas de calor cada vez mais frequentes e mais intensas, com temperaturas mais altas - máximos de temperatura mais elevados -- que é uma coisa que está a verificar-se em todo o mundo, enquanto não resolvermos o problema que determina este aumento da temperatura média global à superfície", afirmou o climatologista, da Universidade de Lisboa.

A temperatura média global da atmosfera à superfície tem aumentado e está próximo de 1,5 graus celsius a mais do que no período pré-industrial.

Uma onda de calor é, por definição, um período de seis dias consecutivos em que a temperatura está acima da média para aquele período do ano, num determinado local.

De acordo com Filipe Duarte Santos, este ano haverá ondas de calor e no próximo também, embora exista uma variabilidade interanual: "Há anos em que a temperatura média global é um bocadinho mais elevada. Nem todos os anos têm a mesma temperatura média".

"Nos anos de El Niño, a temperatura é um bocadinho mais elevada. Tem-se falado muito no El Niño, que está ainda provavelmente num estado inicial. Atribuir isto ao El Niño não me parece que seja muito elucidativo, esta vaga de calor que está na Europa", precisou.

O presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável recordou os recordes que se verificaram em vários locais do centro da Europa e das Ilhas Britânicas, antevendo que em Portugal, provavelmente, esta onda de calor não trará recordes.

"Mas mais tarde ou mais cedo, provavelmente daqui a um ou dois anos, vamos bater novamente recordes, porque o problema não está resolvido", sublinhou.

Até agora, o recorde registado em Portugal é de 47,3 graus, em 2003, na Amareleja, concelho de Moura (Alentejo).

"Isto é um problema que só se resolve quando a temperatura média da atmosfera começar a descer", defendeu o climatologista, para quem as medidas de mitigação das alterações climáticas são "muito importantes", especialmente na União Europeia, mas à escala global não têm efeito, uma vez que as quantidades de gases com efeito de estufa que estão a ser emitidas globalmente, por todos os países do mundo, continuam a aumentar.

"Bateram-se recordes das emissões, sobretudo de dióxido de carbono (CO2), que resulta da combustão do carvão, do petróleo e do gás natural. Cerca de 80% das fontes primárias de energia no mundo são combustíveis fósseis e é assim há 50 anos", lamentou, indicando que a situação se mantém passados 10 anos da assinatura do Acordo de Paris, em 2015.

A exceção que apresentou é a União Europeia (UE), que classificou como líder no processo de transição energética.

"A UE a 27, reduziu a dependência de combustíveis fósseis de 84%, em 1990, para 68% em 2025. Não há mais nenhuma região no mundo que tenha conseguido isto", indicou o especialista, acrescentando que a nível mundial, a dependência dos combustíveis fósseis, em 1970, era de 87% e no ano passado foi cerca de 82%.

"O consumo da energia, sobretudo sob a forma de eletricidade, está a aumentar de uma forma brutal, considerou. Segundo Filipe Duarte Santos, o consumo de energia no mundo aumentou 54% desde o início do século (ano 2000) até 2025.

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