Angola prepara retirada de cidadãos residentes na África do Sul face a ataques xenófobos
Atual vaga de violência xenófoba, que já provocou mortos, foi desencadeada por grupos anti-imigração que exigem o repatriamento de milhares de cidadãos de vários países africanos.
O executivo angolano analisou, esta segunda-feira, uma proposta de estratégia para retirar cidadãos residentes na África do Sul que queiram regressar a Angola, na sequência da vaga de ataques xenófobos que atinge aquele país.
A iniciativa surgiu face aos ataques e agressões a cidadãos estrangeiros, incluindo da comunidade angolana residente naquele país, que pretendem regressar para Angola voluntariamente, segundo um comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores (Mirex).
A situação dos angolanos residentes na África do Sul foi apreciada durante uma reunião multissetorial realizada esta tarde no Mirex e presidida pelo secretário de Estado para a Administração, Finanças e Património, Osvaldo dos Santos Varela, para "a apreciação da Proposta de Estratégia para Evacuação de Cidadãos Angolanos Residentes na África do Sul".
Participaram também na reunião os secretários de Estado António José de Sousa Queirós (Proteção dos Objetivos Estratégicos), Cristino Mário Ndeitunga (Asseguramento Técnico), Adilson Gabriel Alves Catala (Aviação Civil, Marítimo e Portuário) e Carlos Alberto Pinto de Sousa (Saúde Pública), bem como diretores de vários serviços.
Segundo dados do governo, a comunidade angolana na África do Sul é composta por cerca de 20 mil cidadãos, concentrados sobretudo em centros urbanos como Pretória, Joanesburgo e Cidade do Cabo.
A atual vaga de violência xenófoba, que se intensificou desde abril e já provocou mortos, foi desencadeada por grupos anti-imigração que exigem o repatriamento de milhares de cidadãos de vários países africanos.
Moçambique, o país mais afetado, recebeu mais de 1.360 repatriados e contabiliza vários mortos entre os seus cidadãos, enquanto Zimbabué, Gana, Nigéria, Uganda, Quénia e Malawi retiraram também centenas de nacionais.
Até ao momento, não foram confirmados ataques a cidadãos angolanos.
Com uma população superior a 65 milhões de habitantes, a África do Sul acolhe cerca de 2,4 milhões de migrantes, na maioria oriundos de países vizinhos.
Os surtos de xenofobia são recorrentes no país desde o final da década de 1990 --- os mais graves ocorreram em 2008, com mais de 60 mortos, e em 2019, com pelo menos 18 estrangeiros mortos.
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