Violência tem sido acompanhada por manifestações de grande dimensão contra a imigração ilegal.
A violência xenófoba em que mergulhou a África do Sul levou ao repatriamento de mais de 400 africanos e provocou a morte a dois nigerianos, anunciaram este domingo os governos do Quénia, Nigéria e Uganda, que apontam para números provisórios.
A violência xenófoba tem sido acompanhada por manifestações de grande dimensão contra a imigração ilegal, levando vários países vizinhos a ativar mecanismos de repatriamento dos seus nacionais.
Pelo menos 255 cidadãos ugandeses chegaram este domingo ao Uganda provenientes da África do Sul, informou o Governo ugandês, aumentando para 560 o total de naturais desse país, escreveu a Embaixada do Uganda em Pretória na rede social X.
"Para muitos, foi mais do que um simples voo de regresso a casa. Foi uma viagem da incerteza para a segurança. Quando as portas do avião se abriram no Aeroporto Internacional de Entebbe, lágrimas de alívio, abraços calorosos e profunda gratidão marcaram a zona de chegadas, enquanto familiares e representantes do Governo davam as boas-vindas aos repatriados de regresso à Pérola de África", acrescentou o Governo ugandês.
O primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros e da Diáspora do Quénia, Musalia Mudavadi, confirmou que, até ao momento, 151 cidadãos regressaram ao país até 03 de julho, no âmbito de uma operação coordenada pela Alta Comissão do Quénia em Pretória, que termina na próxima terça-feira.
No início desta semana, Nairobi revelou que mais de 200 quenianos procuraram refúgio na Alta Comissão do Quénia em Pretória enquanto aguardavam evacuação.
O ministério sublinhou que os pedidos de repatriamento representam apenas uma pequena parte dos cerca de 27.000 quenianos que vivem e trabalham no país.
Na terça-feira, as principais cidades sul-africanas foram palco de manifestações que reuniram milhares de pessoas, muitas delas trajando vestuário tradicional zulu e empunhando chicotes e bastões, para exigir a saída do país de migrantes ugandeses, zimbabueanos, nigerianos e moçambicanos, a quem responsabilizam pela dificuldade em encontrar emprego num país com uma taxa de desemprego de 32%.
"A escalada de atos hostis é motivo de profunda preocupação. O Quénia manifesta a sua confiança na continuação da proteção dos seus cidadãos, bem como de todas as pessoas sob a jurisdição da África do Sul", afirmou o ministério queniano num comunicado divulgado esta semana.
O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, ordenou o destacamento de mais de 3.000 militares durante um mês em todo o país para garantir a ordem pública, perante protestos que os organizadores prometem realizar semanalmente.
Por seu lado, o Governo da Nigéria denunciou, este domingo, o recente "assassínio" de dois cidadãos nigerianos na África do Sul, "que ocorrem numa altura em que estrangeiros estão a ser alvo de ataques injustificados na África do Sul", escreveu o Ministério dos Negócios Estrangeiros na rede social X, onde condenou os incidentes.
As duas vítimas morreram em 28 de junho, num contexto em que grupos sul-africanos anti-imigração "generalizam erradamente e classificam como criminosos nigerianos respeitáveis, trabalhadores e bem-intencionados".
A Nigéria instou a África do Sul a realizar investigações "urgentes" sobre os dois homicídios e outros processos pendentes relacionados com alegadas execuções extrajudiciais de cidadãos nigerianos no país.
"Se esta situação persistir, todas as opções permanecem em cima da mesa, algumas das quais serão acionadas caso não seja travada esta tendência intolerante e provocatória e este comportamento de inspiração no apartheid em relação aos estrangeiros", concluiu o ministério, sem especificar quais as medidas.
Milhares de pessoas manifestaram-se na passada terça-feira em várias cidades sul-africanas, em marchas convocadas por grupos anti-imigração, que estabeleceram esse dia como prazo para que os imigrantes em situação irregular oriundos de outros países africanos abandonem a África do Sul.
Os organizadores responsabilizam estes migrantes pelos problemas económicos do país, pela degradação dos serviços públicos e pelos elevados níveis de criminalidade, tendo chegado a impedir o acesso de estrangeiros a cuidados de saúde e à educação em estabelecimentos públicos.
Face à situação, Zimbabué, Gana, Nigéria, Uganda, Quénia, Moçambique e Maláui repatriaram centenas de cidadãos que solicitaram o regresso aos respetivos países por receio de ataques xenófobos.
O Governo sul-africano condenou estes ataques, mas reiterou o direito do país a combater a imigração irregular.
As tensões xenófobas constituem um problema recorrente na África do Sul e têm frequentemente desencadeado vagas de violência, sobretudo nos bairros mais desfavorecidos.
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