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Teerão parou para o último adeus a Khamenei e transformou a evocação fúnebre num recado político firme

Cerimónias fúnebres do antigo líder supremo arrancaram em Teerão com mensagens políticas contra os inimigos dos iranianos. Novo líder deverá manter-se afastado por razões de segurança.

05 de julho de 2026 às 01:30

Gritos de "morte aos Estados Unidos, morte a Israel" e cartazes a jurar "vingança" aos mesmos inimigos do Irão deram o mote, no sábado, desde as primeiras horas da manhã, àquilo em que se transformou a evocação fúnebre do antigo líder supremo iraniano, Ali Khamenei: um recado político firme. A multidão ao sol, arrefecida apenas pelos generosos sprays de água espalhados por todo o lado, que formavam inusitados arco-íris, participou no arranque das cerimónias fúnebres de Khamenei na Grande Mosalla de Teerão, o imenso complexo onde os caixões do líder morto nos ataques dos Estados Unidos e de Israel, em fevereiro de 2026, e da sua família estão a ser homenageados. A afluência de pessoas ditou o prolongamento dos eventos na Grande Mosalla até ao final deste domingo e só amanhã se realizará o cortejo pelas ruas de Teerão, numa evocação que as autoridades estimam poder atrair à capital 15 milhões de iranianos.

Durante todo o sábado, grupos de homens empunhando bandeiras iranianas - e também muitas do grupo xiita libanês Hezbollah - desfaziam-se em lágrimas, que se misturavam com o suor do calor seco (à volta dos 37 graus) que se fazia sentir em Teerão. Famílias inteiras empunhavam cartazes de Khamenei e rosas brancas e também choravam. Nos potentes e ensurdecedores sistemas de som, músicas fúnebres, entre o épico e o psicadélico, transportavam a multidão para uma espécie de transe, tal a repetição das batidas, só abafadas, aqui e ali, pelo roncar dos motores dos helicópteros que em voo baixo vigiavam tudo e todos.

Quem faltou ao evento - e assim deverá acontecer nos próximos dias desta cerimónia que só acaba na quinta-feira - foi o atual líder supremo e filho de Khamenei. Oficialmente, ninguém confirma a informação avançada ontem pelo jornal norte-americano ‘The New York Times’, segundo a qual, Mojtaba Khamenei teria sido impedido de participar no adeus ao pai por razões de segurança, dado que, segundo as fontes não identificadas do diário nova-iorquino, a aparição do líder supremo poderia justificar um ataque inimigo ou identificar o lugar onde permanece escondido desde que, também ele, foi vítima de um ataque falhado. O que, desde então, tem impedido a sua aparição pública num momento tão complicado para a vida do Irão, circunstância que tem inflamado especulações diversas sobre o seu estado de saúde.

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