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Inferno das chamas consume 14 mil hectares em três dias e causa pânico

Incêndio de Vouzela é o mais grave no País. Arde desde quinta-feira e no sábado chegou a cercar uma aldeia.

05 de julho de 2026 às 01:30

No espaço de três dias, a área ardida em Portugal aumentou 14 040 hectares. Ou seja: as chamas consumiram, desde 1 de julho e até este sábado, quase tanta área quanto a dos primeiros seis meses do ano (14 359). Cerca das 20h00 deste sábado, 28 399 hectares tinham sido queimados. Grande parte desta área deve-se ao incêndio de Vouzela, que deflagrou na madrugada de quinta-feira e até agora ainda não parou. A violência das chamas tem sido tanta que o incêndio já se alastrou a três outros concelhos (Oliveira de Frades, Tondela, onde uma aldeia ficou rodeada pelas chamas, e Águeda, que fica a 32 quilómetros de Vouzela). 

Com o tempo a continuar quente e as condições a serem propícias para a propagação das chamas, o dia deste sábado foi marcado pelo pânico dos populares, que se desdobraram em esforços para tentar evitar que as chamas chegasse às casas. Até porque, durante a tarde, uma das frentes do incêndio acabou por ameaçar a aldeia de Cercosa. O autarca de Vouzela, Carlos Oliveira, assumiu que esta era a frente mais preocupante deste fogo.

Ao final da tarde deste sábado, o dispositivo de ataque às chamas era musculado. Ao todo, estavam no terreno 1287 bombeiros, apoiados por 428 veículos e oito meios aéreos. Nestes números já estavam incluídos os membros da Unidade Militar de Emergências de Espanha e os aviões Canadair que o país vizinho e Marrocos enviaram. Também Itália empenhou duas aeronaves para ajudar no combate.

No 'briefing' feito pelas 19h00 deste sábado na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, Luís Neves, ministro da Administração Interna, anunciou que o estado de alerta deverá manter-se na próxima semana, apesar de as temperaturas baixarem ligeiramente. Os dias serão "um período muito grave", assumiu.

Já o primeiro-ministro (que assistiu à conferência de imprensa à distância), Luís Montenegro, pediu à população que "respeite e colabore" com as autoridades para que todos "se ajudem uns aos outros". O chefe de Governo disse ainda que a vigilância vai continuar apertada, tentando "prevenir e evitar" ao máximo.

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