Apelos nas redes sociais de Marrocos para "libertar Ceuta e Melila" colocam autoridades espanholas novamente em alerta
Autoridades espanholas analisam conteúdos e perfis nas redes sociais que apresentam Ceuta e Melila como territórios ocupados por Espanha.
As autoridades espanholas estão em alerta devido a uma convocatória "para libertar Ceuta e Melila" marcada para o próximo dia 20 de setembro. "Estamos atentos à situação, vamos controlá-la", apontam um responsável das autoridades ao El Español. Entre as diferentes fases do acompanhamento a cargo dos serviços de inteligência, segurança, Polícia Nacional e Guardia Civil estão a determinação do alcance real do apelo, quem está por trás das mensagens que circulam nas redes sociais e se existe, de facto, o risco de uma mobilização física, descreve o meio espanhol.
Os serviços de segurança estão a analisar os conteúdos divulgados, assim como as atividades dos perfis que as propagam. Entre os elementos detetados nos perfis investigados pelas autoridades espanholas está um cartaz, divulgado em árabe, e que apela a uma "marcha popular", apresentando Ceute e Melila como territórios ocupados pela Espanha.
O alerta acontece depois da entrada massiva de migrantes em Ceuta, cujo relatório elaborado pelo Centro Nacional de Imigração e Fronteiras descreve como "planeada", assinalando a presença de membros das forças de segurança marroquinas. O documento aponta ainda que a entrada massiva provocou problemas na segurança, estabilidade institucional e gestão das fronteiras espanholas.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, já veio garantir, perante o Congresso dos Deputados e cerca de um mês depois do fluxo migratório, a salvaguarda de Ceuta e Melila enquanto territórios espanhóis. Apesar de ter referido não existirem garantias de que Marrocos estivesse envolvido no planeamento da chegada massiva de migrantes a Ceuta, Sánchez condenou as declarações públicas de dois ministros marroquinos que apontavam direitos sobre os territórios em causa. "Durante séculos, estas duas cidades foram espanholas. E asseguro-vos que, para o governo espanhol, assim permanecerá para sempre”, apontou o primeiro-ministro espanhol.
O Conselho de Ministros espanhol aprovou um pacote de emergência de 165 milhões de euros para Ceuta, destinado a revitalizar a economia local e reforçar os serviços públicos, afetados após a entrada em massa de imigrantes nos dias 30 e 31 de julho, parte dos quais ainda permanece na cidade.
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