Aumenta para sete o número de mortos em confrontos durante protestos contra custo de vida no Irão

Manifestações começaram no domingo em Teerão, onde os comerciantes fecharam os seus negócios em protesto contra a hiperinflação, desvalorização da moeda e estagnação económica.

02 de janeiro de 2026 às 07:47
Bandeira do Irão Foto: Getty Images
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Um novo balanço aponta para pelo menos sete mortos em confrontos entre manifestantes e forças de segurança nas províncias rurais do Irão, no quinto dia de protestos contra o elevado custo de vida.

Um balanço inicial divulgado na quinta-feira apontava para seis mortos no oeste do Irão, as primeiras vítimas mortais da vaga de manifestações, de acordo com um balanço das autoridades.

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As mortes, duas registadas na quarta-feira e cinco na quinta-feira, ocorreram em quatro cidades do Irão, em grande parte habitadas pelo grupo étnico minoritário Lur.

Entre as vítimas estava um membro de uma milícia afiliada à Guarda Revolucionária Islâmica, o exército ideológico do Irão. A violência mais intensa parece ter atingido Azna, uma cidade na província de Lorestan, no Irão, a cerca de 300 quilómetros a sudoeste da capital, Teerão.

Vídeos 'online' mostravam alegadamente objetos em chamas nas ruas e tiros a ecoar enquanto as pessoas gritavam: "Sem vergonha! Sem vergonha!". A agência de notícias semioficial iraniana Fars noticiou que três pessoas foram mortas em Azna.

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As manifestações começaram no domingo em Teerão, onde os comerciantes fecharam os seus negócios em protesto contra a hiperinflação, a desvalorização da moeda e a estagnação económica e, de seguida, espalhou-se para as universidades e para o resto do país. Estes protestos, contudo, não são ainda comparáveis ao movimento esta sexta-feira abalou o Irão no final de 2022, após a morte de Mahsa Amini, uma jovem iraniana presa por alegadamente usar um véu islâmico de forma incorreta.

"Numa perspetiva islâmica, se não resolvermos o problema do sustento das pessoas, acabaremos no inferno", defendeu o Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, que convocou o Governo. Na quarta-feira, um edifício governamental foi atacado em Fassa, no sul do Irão, enquanto quase todo o país entrou em feriado decretado pelas autoridades, que justificaram a medida com o frio e poupança de energia. Oficialmente, não houve qualquer ligação com os protestos e esta pausa prolongada de atividades, que apenas terminará no domingo. Desde o início dos protestos, o Governo tem tentado apaziguar a situação, reconhecendo "exigências legítimas" relacionadas com dificuldades económicas.

Na quinta-feira, sete pessoas foram detidas na cidade de Kermanshah, no oeste do país, por supostas ligações com "grupos hostis e membros da oposição exilados". A emissora estatal iraniana informou ainda que uma outra operação resultou na apreensão de 100 armas ilegais, sem adiantar mais pormenores.

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De acordo com imagens publicadas por ativistas nas redes sociais, 'slogans' a favor do retorno da monarquia, como "Esta é a batalha final, Pahlavi regressará", foram ouvidos em vários protestos, em referência à dinastia Pahlavi, derrubada pela Revolução Islâmica em 1979.

A moeda nacional, o rial, perdeu mais de um terço do valor face ao dólar no último ano, enquanto a hiperinflação de dois dígitos tem vindo a corroer o poder de compra dos iranianos há anos, num país sufocado pelas sanções internacionais relacionadas com o programa nuclear de Teerão. A taxa de inflação em dezembro foi de 52% em comparação com o ano anterior. 

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