Autarca em campanha à reeleição e o pai são assassinados no Nordeste do Brasil
Marcelo de Oliveira foi atingido com pelo menos 11 tiros de pistola e de espingarda.
O autarca da pequena cidade brasileira de João Dias, no interior do estado do Rio Grande do Norte, nordeste do país, Marcelo de Oliveira, e o pai dele, Sandi Alves de Oliveira, foram mortos a tiro esta terça-feira, 27 de Agosto, na zona rural daquele município. Marcelo de Oliveira, como era conhecido mas que, na verdade, se chamava Francisco Damião de Oliveira, estava em campanha para tentar a reeleição nas autárquicas do próximo mês de Outubro naquela cidade de somente três mil habitantes mas com uma vida política extremamente agitada.
Segundo a polícia local, o autarca e o pai foram cercados por pelo menos oito criminosos armados quando passavam numa estrada vicinal na região de São Geraldo, uma freguesia distante do centro de João Dias. Os assassinos, em dois carros que foram localizados queimados horas depois em outros pontos do município, encurralaram pai e filho e crivaram-nos de balas, tendo o autarca sido atingido por pelo menos 11 projéteis de pistola e de espingarda.
Marcelo de Oliveira foi eleito nas últimas autárquicas, em Outubro de 2020, mas renunciou ao cargo em Julho de 2021, alegando estar a ser ameaçado de morte pela vice-autarca, Damária Jacome, e pela família dela, também ligada à tumultuada política local. Em Outubro de 2022, a justiça aceitou um pedido de Marcelo, tirou Damária, que lhe tinha sucedido, do cargo e reempossou o autarca eleito.
Ao longo de todo o seu mandato, Marcelo Oliveira denunciou ameaças de morte por parte da família Jacome, que também tem tido uma trajetória tumultuada. Dois irmãos de Damária foram mortos pela polícia do estado da Bahia e outros dois foram presos no estado de Sergipe, todos acusados pelas autoridades de tráfico de droga, e a própria Damária foi condenada no ano passado por irregularidades e crimes como extorsão, mas aguarda recurso em liberdade.
A Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Norte enviou para a pequena mas nada pacata cidade reforços de agentes da Polícia Militar, responsável pela segurança pública ostensiva, e da Polícia Judiciária, que irá investigar os crimes. Até esta quarta-feira nada foi adiantado, mas na cidade os rumores, ditos com cautela dado que todos se conhecem e há um clima de medo generalizado, é de que a morte de Marcelo e do pai pode ter tido motivação política.
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