Bebé de nove meses e criança de sete anos entre os 19 mortos em deslizamentos de terra em São Paulo no Brasil

Há ainda o registo de várias pessoas desaparecidas.

19 de fevereiro de 2023 às 21:26
Chuvas em São Paulo Foto: Facebook
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As chuvas torrenciais que caíram nas últimas 24 horas no litoral norte do estado brasileiro de São Paulo provocaram a morte a pelo menos 19 pessoas, entre elas uma criança de sete anos e um bebé de nove meses. Há ainda o registo de vários desaparecidos e de um rasto de destruição indescritível.

Já era esperado que neste fim de semana chovesse bastante na região, mas o volume de chuvas foi brutalmente acima do esperado, havendo uma estimativa preliminar de técnicos do Cemaden, Centro de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais, de que estas tenham sido as chuvas mais fortes de sempre no Brasil.

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Em menos de 24 horas, caíram 683 mm em Bertioga e mais de 700 mm na cidade vizinha, São Sebastião, o dobro, por exemplo, do que os 310 mm que cairam há um ano num único dia em Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro, matando na altura 341 pessoas. A previsão da meteorologia para Fevereiro, um dos três meses mais chuvosos do ano, era de 300 mm nos 28 dias do mês.

O número de vítimas fatais foi divulgado num relatório parcial perto das 18h55 locais, 21h55 em Lisboa, pelo comandante da Protecção Civil do Estado de São Paulo, coronel Engel do Carmo Ferreira. No entanto o número deve subir nas próximas horas, uma vez que na altura ainda havia várias regiões às quais os socorristas não tinham conseguido chegar.

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Na maior parte das cidades da região do litoral norte, como São Sebastião, Bertioga, Ilha Bela, Ubatuba e Caraguatatuba, àquela hora não havia energia, água potável, internet ou rede de telemóveis, aumentando ainda mais o sofrimento e a aflição dos moradores e turistas,já que toda aquela região é altamente turística e recebe centenas de milhares de pessoas nesta época de Carnaval.

Em Ilha Bela, que teve as ligações marítimas com São Sebastião interrompidas pelo mau tempo, grandes crateras abriram-se em praias e bairros da cidade, deixando o tráfego automóvel inacessível e estradas importantes, que ligam a cidade de São Paulo ao litoral norte, como a Rio-São Paulo, a Mogi-Bertioga e a Tamoios fechadas devido a deslizamento de encostas.

A impossibilidade de se chegar às cidades e de circular dentro delas fez o governo do estado de São Paulo enviar para o litoral norte todos os helicópteros da Polícia Militar disponíveis, com o objetivo de enviar mais bombeiros e polícias, retirar feridos e tentar socorrer pessoas soterradas ou isoladas.

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No final da tarde, as autoridades solicitaram ajuda às Forças Armadas, que disponibilizaram helicópteros militares de grande porte, que podem transportar dezenas de pessoas e têm maior capacidade para enfrentar o mau tempo.

Àquela hora, as autoridades afirmavam que a situação era extremamente grave, uma vez que havia vastas regiões sem acesso, muitas pessoas desaparecidas e outras soterradas sem que se pudesse chegar até elas. A tempestade atingiu igualmente bairros pobres e ricos, com casas mais simples a desmoronarem e condomínios de luxo a terem água até ao teto do rés-do-chão. Todos os famosos festejos de Carnaval da região também foram cancelados.

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