Biden saúda aprovação do seu plano de investimentos na Câmara dos Representantes
A votação para a sua aprovação definitiva não deve ocorrer antes do outono.
A Câmara dos Representantes dos EUA aprovou o plano de investimentos pretendido pelo presidente norte-americano, no montante de 3,5 biliões (milhão de milhões) de dólares (três biliões de euros), avanço já saudado por Joe Biden.
Ao conseguirem, na terça-feira, um acordo com os congressistas da designada ala moderada do seu partido, os líderes democratas acabaram com um impasse que poderia comprometer a agenda de Biden.
Concretamente, a câmara baixa do Congresso aprovou uma resolução que vai permitir contornar um eventual bloqueio dos republicanos no Senado, a fim de poder aprovar no outono, com os únicos votos democratas, se for necessário, o plano das reformas sociais "mais consequente" nos EUA, desde os anos 1930.
O presidente norte-americano já aplaudiu o avanço no Congresso dos seus dois volumosos planos de investimento, em infraestruturas e despesas sociais, que totalizam quase cinco biliões de dólares.
A votação para a sua aprovação definitiva não deve ocorrer antes do outono.
Até lá, as negociações entre democratas anunciam-se tensas para reconciliar a ala esquerda e a centrista.
Os democratas dispõem de uma maioria estreita no Congresso e precisam da maior quantidade de votos possível se quiserem fazer aprovar os dois planos, que vão marcar profundamente o mandato de Joe Biden.
"Hoje (terça-feira), a Câmara dos Representantes superou uma grande etapa para investimentos históricos, que vão transformar os EUA", declarou Biden, durante um discurso televisivo.
"Estes investimentos vão diminuir as despesas das famílias, e não apenas aliviá-las um pouco. Por outro lado, vamos fazer os investimentos indispensáveis, esperados desde há muito, nas infraestruturas", acrescentou no discurso sobre a saída militar do Afeganistão.
Criticado de todos os lados pela retirada caótica de Cabul, Biden preferiu consagrar o início da sua alocução ao sucesso conseguido na Câmara dos Representantes.
Focada na educação, saúde, mercado de trabalho ou ainda a luta contra as alterações climáticas, a resolução prevê um investimento de 3,5 biliões de dólares em 10 anos, um montante equivalente ao produto interno bruto (PIB) da Alemanha em 2020.
A votação seguiu as linhas partidárias, com 220 votos dos democratas a predominarem sobe os 212 republicanos.
Esta resolução não especifica contudo o montante global e as grandes linhas dos "investimentos nas famílias (norte-)americanas", como o define Biden.
Os parlamentares democratas devem agora redigir o conteúdo específico até 15 de setembro.
As negociações anunciam-se árduas: dois senadores democratas centristas já disseram que não aprovariam um montante destes. Não há data fixada para a votação.
Ao mesmo tempo e para apaziguar os moderados, Pelosi comprometeu-se também na terça-feira a submeter a votação até 27 de setembro o plano de investimento de Biden para as infraestruturas, de 1,2 biliões de dólares.
O Senado já tinha aprovado este segundo pacote, em 10 de agosto. De forma rara, a aprovação contou com os votos de quase um terço dos senadores republicanos.
Este plano prevê 500 mil milhões de dólares em estradas, pontes e transportes, mas também em internet de banda larga e no ambiente. Com a reorientação de outros financiamentos públicos, atinge 1,2 biliões de dólares, o equivalente ao PIB de Espanha em 2020.
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