Bolsonaro acusa OMS de incentivar masturbação e homossexualidade em crianças
Texto foi publicado na página do Facebook do presidente brasileiro no final da noite desta quarta-feira, e foi apagado pouco depois.
Num novo e total absurdo, mais um dos que diariamente diz ou comete, e numa nova distorção das palavras de terceiros, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, acusou a OMS, Organização Mundial de Saúde, de incentivar a masturbação e a homossexualidade de crianças, inclusive de menores de quatro anos.
O texto foi publicado na página do Facebook de Jair Bolsonaro no final da noite desta quarta-feira, e foi apagado pouco depois, mas já tinha sido acedido por muita gente e compartilhado por seguidores do polémico governante.
Na sua publicação, Bolsonaro reproduziu o que ele alegou serem recomendações da OMS para crianças de pouca idade, nomeadamente o toque do próprio corpo, principalmente na região genital, o que ele considera ser um incentivo à masturbação, e o relacionamento com outras crianças, inclusive do mesmo sexo, o que o brasileiro afirma ser uma defesa da homossexualidade. E o presidente, que tem na OMS um dos alvos preferidos para os seus ataques por a entidade recomendar o confinamento social contra o avanço da pandemia de Coronavírus, que ele nega existir, pergunta aos seus seguidores quem é que está certo, a OMS ou ele, que se recusa a seguir as orientações da organização.
O documento que Bolsonaro cita na sua publicação existe de facto, mas na publicação do governante brasileiro foi reproduzido de forma parcial e totalmente fora de contexto. As orientações citadas fazem parte de um guia produzido em 2010 pelo Departamento Federal de Saúde da Alemanha mas não são dirigidas a crianças e sim a adultos, para os alertar sobre o que fazer quando os seus filhos começarem a descobrir o próprio corpo e, no relacionamento social com outras crianças, descobrirem que são diferentes uns dos outros.
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