Bolsonaro diz que movimentos antifascistas e contra o racismo são criados por marginais e terroristas
Presidente brasileiro avisou que vai recorrer a medidas jurídicas para permitir uma ação forte da polícia na contenção de manifestações.
O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, classificou como "marginais" e "terroristas" os membros dos grupos contra o racismo e contra o fascismo que começaram a manifestar-se em várias cidades brasileiras em contraposição às manifestações apoiadas pelo próprio governante que todos os domingos pedem nas ruas um golpe militar que feche o Congresso e o Supremo Tribunal e o perpetue no cargo com poderes absolutos. Bolsonaro também avisou que vai recorrer a todas as medidas jurídicas possíveis para permitir uma ação forte da polícia na contenção desses movimentos, que ele considera criminosos por contestarem o seu governo.
"Esse movimento começou aqui, com os antifas em campo. O motivo, no meu entender, político, diferente daquele dos protestos nos EUA. São marginais, no meu entender terroristas. Têm ameaçado, domingo, fazer movimentos desses pelo Brasil, especialmente aqui em Brasília."-Declarou Bolsonaro a apoiantes concentrados, como acontece todos os dias, à porta do Palácio da Alvorada, residência oficial em Brasília, que gravaram o momento e divulgaram nas redes sociais.
Bolsonaro comparou as manifestações que ele próprio promove e nas quais participa, que são claramente ilegais pois incentivam uma ruptura democrática ao defenderem um golpe de estado e a formação de um governo autoritário comandado por ele e sem prazo definido, com os actos ocorridos domingo passado em várias cidades brasileiras protestando contra o assassínio nos EUA de um cidadão negro já dominado no chão por um polícia branco que o asfixiou pisando-lhe o pescoço com um joelho por nove minutos, e também contra o racismo existente no Brasil e de que o chefe de Estado é um dos maiores expoentes. Para Jair Bolsonaro, os atos que ele comanda e onde se pede o encerramento do Supremo Tribunal e do Congresso são absolutamente democráticos e esses pedidos radicais são apenas uma forma de liberdade de expressão, enquanto os atos que o criticam são claramente de cunho subversivo e terrorista.
"Não podemos deixar que o Brasil se transforme no que foi há pouco tempo o Chile (onde houve gigantescas manifestações contra o governo, muitas delas violentas), não podemos permitir isso daí. Isso não é democracia nem liberdade de expressão. Isso, no meu entender, é terrorismo, e não podemos permitir isso. Esperamos que este movimento não cresça, e precisamos de uma retaguarda jurídica para que os nossos polícias possam bem atuar se se apresentar um crescendo desses movimentos, que não têm nada a ver com democracia."-Disse o chefe de Estado.
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