Bolsonaro quer milhões nas ruas para exigir a renúncia de magistrados

"Tendência é de rutura institucional" se os juízes do Supremo Tribunal Federal (STF) não se "enquadrarem", ameaça o presidente.

04 de setembro de 2021 às 21:23
Jair Bolsonaro Foto: Adriano Machado / Reuters
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Numa nova e clara ameaça de rompimento democrático, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, afirmou este sábado que "a tendência é de rutura institucional" se os juízes do Supremo Tribunal Federal (STF) não se "enquadrarem" na vontade que, segundo ele, o povo vai expressar nas ruas na próxima terça-feira, dia 7, aniversário da independência do Brasil.

Bolsonaro pretende reunir milhões de seguidores nas ruas da Brasília e de São Paulo para exigir a renúncia de magistrados que têm anulado medidas autoritárias tomadas por ele e que, de acordo com o governante, estão a agir contra o Brasil por não o deixarem governar sem limites.

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"A tendência é de rutura institucional. Rutura essa que eu não quero nem desejo. E tenho certeza, que nem o povo brasileiro a quer. Mas a responsabilidade cabe a cada poder. No Supremo, há ministros que estão a prejudicar o futuro do nosso Brasil e essas pessoas têm de ser enquadradas. O povo, como poder moderador, não vai permitir que um ou dois homens ameacem a nossa Democracia, a nossa liberdade," declarou Bolsonaro em Caruaru, após mais uma manifestação, em preparação dos atos antidemocráticos que o chefe de Estado está a convocar para o próximo dia 7.

Nesse dia, Bolsonaro pretende reunir pelo menos um milhão de seguidores na Brasília, a capital federal do Brasil, e outros dois milhões em São Paulo, a maior cidade do país, em atos contra o Supremo Tribunal e contra o Congresso que estão a provocar temores de que o governante tente dar um golpe de Estado.

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Nas redes sociais, as mensagens a convocar seguidores de Bolsonaro para essas manifestações falam em invasão ao Supremo Tribunal, para o ocupar até que os juízes renunciem, e ao Congresso, que, não obstante ter uma maioria bolsonarista, também não tem aceite a escalada autoritária de Jair Bolsonaro, e defendem uma intervenção militar comandada pelo presidente para que este possa governar com poderes absolutos.

Generais ouvidos em sigilo garantem que as Forças Armadas não vão apoiar uma eventual tentativa de golpe de Estado de Bolsonaro, mas o risco de militares e polícias extremistas desencadearem ações armadas existe.

Embaixadas de vários países, nomeadamente dos EUA, já emitiram alertas para que os seus cidadãos que estejam em território brasileiro não saiam de casa na próxima terça-feira, dado o elevado risco de atos de violência.

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