Brasil aceita ajuda para incêndios na Amazónia se puder gerir verbas
Jair Bolsonaro já admite aceitar os 20 milhões do G7, mas exige ser ele a decidir como serão aplicados.
Sob pressão dos seus ministros e dos governadores dos estados mais afetados pelos incêndios na Amazónia, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro recuou esta quarta-feira na sua decisão inicial de recusar a ajuda de 20 milhões de dólares oferecida pelos países do G7 e diz agora estar disposto a aceitar a oferta desde que seja o seu governo a decidir como a verba será aplicada.
"Esses recursos financeiros devem ser acolhidos pelo governo brasileiro e pela governança brasileira, [devem] ser empregados. O governo não rasga dinheiro. Rasgar dinheiro não é uma coisa adequada num governo que tem a austeridade como princípio maior", disse esta quarta-feira o porta-voz presidencial, Rego Barros, respondendo à acusação feita pouco antes pelo governador do estado do Maranhão, Flávio Dino, de que ao rejeitar a ajuda o Brasil estava a "rasgar dinheiro".
A acusação de Dino foi apoiada pelos governadores dos outros oito estados afetados pelos incêndios durante uma tensa reunião com Bolsonaro. Os governadores apelaram ao presidente para aceitar quer a ajuda do G7 quer de quem seja que esteja disposto a enviar recursos preciosos num momento em que o Brasil enfrenta uma profunda crise financeira.
A reunião ficou ainda marcada pela insistência do chefe de Estado em desviar o foco dos incêndios e usar a reunião para os pressionar a apoiar a sua intenção de explorar as imensas riquezas da Amazónia, cuja preservação o presidente alega estar a prejudicar o desenvolvimento do Brasil.
Entretanto, e por entre o braço de ferro com os países do G7, Bolsonaro anunciou que decidiu aceitar a ajuda oferecido pelo vizinho Chile e anunciou a realização, a 6 de setembro, na Colômbia, de uma cimeira de todos os países que partilham a Amazónia - exceto a Venezuela - para delinear uma política comum de defesa da floresta.
PORMENORES
‘Desculpe Brigitte’
Internautas brasileiros criaram na internet a campanha ‘Desculpe Brigitte’ para pedir desculpa à primeira-dama francesa, Brigitte Macron, ofendida por Bolsonaro, que comentou no Twitter uma comparação sexista entre a mulher do presidente francês e a sua esposa.
Comentário retirado
Perante a forte repercussão negativa do caso, o presidente brasileiro apagou do seu Twitter o comentário irónico que fez ("não humilha, cara"), mas manteve a publicação inicial do seguidor que desatou toda a polémica.
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