Brigitte Macron não terá estatuto oficial em França
Presidente planeava criar cargo de primeira-dama mas contestação forçou-o a recuar.
O presidente francês, Emmanuel Macron, recuou ontem na intenção de mudar a Constituição para criar um estatuto oficial de primeira-dama para a mulher do presidente. Macron vai, em alternativa, divulgar nos próximos dias dados sobre "o papel público" de Brigitte Macron.
Fontes da presidência negam que Macron tenha desistido da alteração, inspirada no modelo em vigor nos EUA, devido às críticas da oposição de esquerda e sobretudo depois de uma petição online lançada pelo pintor e ativista Thierry Paul Valette ter reunido mais de 270 mil assinaturas em poucos dias.
"Macron tinha prometido clarificar o papel [da primeira-dama] e acabar com a hipocrisia em relação à cônjuge do chefe de Estado", referiu Christophe Castaner, porta-voz do governo, adiantando que será clarificado qual o orçamento disponibilizado para Brigitte.
A primeira-dama francesa sempre teve papel público, recebendo chefes de Estado estrangeiros, por exemplo, e tem segurança e secretários privados. Mas os custos destas regalias não são divulgados. Ainda assim, soube-se em 2013 que o pessoal de Valerie Trierweiler, companheira do presidente François Hollande, custou cerca de 400 mil euros.
PORMENORES
Moralizar vida pública
O autor da petição contra o papel de primeira-dama frisou que Macron não pode "moralizar a vida pública" ao proibir os deputados e ministros de contratarem familiares para depois fazer o mesmo ao criar "o estatuto de primeira-dama".
O caso polémico de Fillon
O candidato da direita francesa François Fillon, favorito nas presidenciais, viu a candidatura arrasada quando se descobriu, em janeiro, que contratou a mulher para cargos fictícios que lhe renderam milhares de euros. Macron prometeu combater este tipo de conduta corrupta.
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