Bruxelas espera aval rápido na UE sobre acordo com EUA após negociações falhadas

Perante a falta de acordo, as instituições comunitárias voltarão a reunir-se o mais rapidamente possível nos próximos dias para tentar resolver as suas divergências.

07 de maio de 2026 às 11:24
Maros Sefcovic Foto: Bernd von Jutrczenka/AP
Partilhar

O comissário europeu do Comércio disse esta quinta-feira esperar que os colegisladores da União Europeia, eurodeputados e países possam "alcançar rapidamente um resultado positivo" sobre a aplicação do acordo com os Estados Unidos, após negociações falhadas na noite passada.

"Na noite passada, passámos quase seis horas num importante trílogo sobre o regulamento tarifário que implementa a Declaração Conjunta UE-EUA entre a União Europeia e os Estados Unidos. [...] O trabalho intensivo continua entre a Comissão e os colegisladores para alcançar rapidamente um resultado positivo", escreveu Maros Sefcovic, numa publicação nas redes sociais.

Pub

"Continuo também em contacto próximo com os meus homólogos norte-americanos relativamente aos próximos passos do nosso processo legislativo, ao mesmo tempo que apelo à administração dos Estados Unidos para que cumpra os seus compromissos", acrescentou o responsável.

De acordo com Maros Sefcovic, "este investimento significativo de tempo e esforço sugere que se está a fazer progressos consideráveis [...], embora, naturalmente, nada esteja acordado até que tudo esteja acordado".

"O meu objetivo continua a ser triplo: em primeiro lugar, demonstrar que a UE [União Europeia] cumpre aquilo que promete e honra os seus compromissos e, em segundo lugar, assegurar um resultado que respeite plenamente a declaração conjunta UE-EUA", elencou.

Pub

Além disso, o comissário europeu da tutela disse querer "preservar os interesses das partes interessadas da UE, incluindo dotando a Comissão dos instrumentos necessários" para garantir que o acordo é implementado por ambas as partes.

A reunião entre as instituições da UE para tentar dar 'luz verde' ao acordo comercial com os Estados Unidos, que começou na quarta-feira à noite, terminou na madrugada desta quinta-feira sem acordo, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter ameaçado impor uma tarifa de 25% sobre os veículos europeus.

As divergências sobre a possibilidade de introduzir salvaguardas que permitam suspender a implementação do pacto caso Washington continue a ameaçar a UE impediram que o Conselho da UE (países) e o Parlamento Europeu (eurodeputados) chegassem a um entendimento.

Pub

Enquanto o Parlamento Europeu exige essas medidas - que países como Espanha, França, Finlândia ou Luxemburgo também veem com bons olhos - outro grupo de governos, liderado pelo alemão, opõe-se a essa possibilidade.

Perante a falta de acordo, as instituições comunitárias voltarão a reunir-se o mais rapidamente possível nos próximos dias para tentar resolver as suas divergências.

Em julho de 2025, o executivo comunitário (que detém a competência comercial da UE) e os Estados Unidos chegaram a um acordo político que estabelecia um quadro de tarifas com um teto de 15% sobre a maioria das exportações europeias para os EUA e a eliminação de muitas tarifas norte-americanas sobre produtos industriais europeus.

Pub

Esse acordo, cuja ratificação tem estado em suspenso pelo Parlamento Europeu, visava restaurar a estabilidade e previsibilidade nas relações comerciais transatlânticas.

Porém, na passada sexta-feira, Donald Trump ameaçou a UE com uma tarifa de 25% sobre a importação de veículos europeus, alegando que os 27 estão a atrasar o acordo comercial.

Bruxelas tem vindo a garantir esta preparada para lidar com tais pressões, sendo que uma das possibilidades em cima da mesa é a aplicação do instrumento anti-coerção, uma ferramenta comercial que permitiria à UE impor tarifas aos Estados Unidos no valor de 93 mil milhões de euros, caso falhem previamente os esforços diplomáticos para evitar uma escalada numa hipotética guerra comercial.

Pub

A UE estudou esta possibilidade em janeiro, durante a crise diplomática com os Estados Unidos relacionada com o controlo da Gronelândia, mas suspendeu-a durante seis meses após Donald Trump ter recuado na ameaça de impor tarifas aos países europeus que tinham enviado tropas para a ilha.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar