Bruxelas propõe novo modelo de autorização para serviços móveis por satélite na União Europeia

Regime inclui internet direta para telemóveis em zonas sem cobertura terrestre.

27 de maio de 2026 às 13:19
Bruxelas propõe novo modelo de autorização para serviços móveis por satélite na UE Foto: DR
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A Comissão Europeia propôs, esta quarta-feira, um novo regime para serviços móveis por satélite na União Europeia (UE), reservando a faixa de 2 GHz para usos governamentais e comerciais, incluindo internet direta para telemóveis em zonas sem cobertura terrestre.

"A Comissão Europeia adotou uma proposta para a seleção de fornecedores de serviços móveis por satélite que serão autorizados a utilizar a faixa harmonizada de frequências de 2 GHz para além de 2027, quando expirarem as licenças atuais", indica a instituição em comunicado.

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A proposta surge numa altura em que Bruxelas tenta reforçar a resiliência das comunicações europeias e reduzir dependências tecnológicas externas, apostando em serviços de conectividade por satélite considerados estratégicos para a competitividade, segurança e soberania digital da UE.

Segundo o executivo comunitário, as atuais licenças para utilização desta faixa de frequências expiram em maio de 2027, sendo necessário criar um novo quadro regulatório harmonizado para todos os Estados-membros.

A Comissão Europeia defende que a atribuição das licenças ao nível europeu permitirá garantir "consistência regulatória" e facilitar o desenvolvimento de serviços transfronteiriços pelos operadores.

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De acordo com a proposta, um terço da faixa MSS de 2 GHz ficará reservado a utilizações governamentais, incluindo comunicações críticas, segurança e aplicações militares, asseguradas por um operador europeu ligado ao programa IRIS², a infraestrutura europeia de conectividade segura por satélite.

Os restantes dois terços serão destinados a usos comerciais, incluindo serviços "direct-to-device", que permitem ligação direta entre satélites e dispositivos móveis sem necessidade de infraestrutura terrestre tradicional.

A Comissão Europeia refere, ainda, que esta tecnologia poderá ser usada em dispositivos de monitorização energética, sensores e equipamentos de resposta a emergências.

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Parte da capacidade comercial será reservada a novos operadores europeus, numa tentativa de incentivar a diversificação de fornecedores e reforçar a presença de empresas europeias no setor espacial e das telecomunicações.

Citada em comunicado, a vice-presidente executiva da Comissão Europeia para a Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, Henna Virkkunen, salienta que a conectividade por satélite "é essencial para reforçar a resiliência das redes de comunicação da UE".

A responsável acrescenta que a proposta permitirá garantir acesso a serviços de voz e internet de banda larga em regiões sem cobertura terrestre, além de reforçar as capacidades europeias em matéria de comunicações críticas e serviços governamentais.

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Esta proposta surge numa altura de competição tecnológica e estratégica entre a UE e os Estados Unidos no setor das comunicações por satélite, onde empresas norte-americanas como a SpaceX, através do serviço Starlink de Elon Musk, já têm uma posição dominante no fornecimento de internet global "direct-to-device" e cobertura em zonas remotas.

Ao reservar espetro para usos governamentais e ao tentar impulsionar operadores europeus, a UE procura reduzir a dependência destas infraestruturas norte-americanas, reforçar a sua soberania digital e acelerar a criação de alternativas próprias capazes de competir em segurança, cobertura e inovação no mercado global de conectividade por satélite.

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