Cabo Verde deteta bactéria Shigella na cadeia de fornecimento de frescos a hotéis

As autoridades sanitárias cabo-verdianas mantêm "comunicação permanente com os serviços de vigilância epidemiológica da Europa" e emitiram um conjunto de recomendações para os hotéis.

20 de março de 2026 às 20:42
Praia de Santa Maria, ilha do Sal, Cabo Verde Foto: Getty Images
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Cabo Verde detetou a bactéria Shigella em amostras de água de rega de produtos frescos fornecidos a hotéis, após investigações nas ilhas do Sal e da Boa Vista, anunciou hoje Hélio Rocha, administrador do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP).

"Os resultados desta investigação apontam para a presença de Shigella na cadeia de suprimento de alguns frescos nos hotéis. Apurou-se que a água de consumo humano não apresenta contaminação. No entanto, em relação às amostras de água utilizada para a rega de produtos frescos, foi detetada a presença da bactéria", referiu, em conferência de imprensa, na Praia.

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A investigação "identificou a Shigella Sonnei nas amostras, espécie que tem maior predomínio na região europeia, levantando-se a hipótese de uma introdução dessa espécie em Cabo Verde", detalhou.

Segundo Hélio Rocha, estão a ser realizadas análises que "ajudarão a elucidar sobre essa hipótese".

Os resultados surgem depois de o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, sigla europeia) ter emitido, na quarta-feira, recomendações para viajantes devido a um "risco moderado" de infeções gastrointestinais em Santa Maria, ilha do Sal.

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O aviso foi feito por continuarem "a ser reportados casos" e "a origem da infeção" ainda não ter sido identificada, apontou o ECDC, indicando que, desde setembro de 2022, "foram detetados mais de 1.000 casos confirmados e prováveis" de infeções gastrointestinais com origem em Cabo Verde.

Hélio Rocha disse que, atualmente, não há "alterações anormais", "mantendo-se um número esporádico de casos, dentro do esperado para este período", sem qualquer surto.

As autoridades sanitárias cabo-verdianas mantêm "comunicação permanente com os serviços de vigilância epidemiológica da Europa" e emitiram um conjunto de recomendações para os hotéis.

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Entre elas, pede-se "um reforço dos processos de desinfeção dos produtos frescos na cadeia de produção, importação e distribuição", bem como da vigilância laboratorial e epidemiológica.

A investigação por uma comissão multidisciplinar consistiu na recolha e análise de amostras de água de consumo humano, de alimentos frescos, de superfícies de manipulação, água de rega e amostras clínicas, totalizando 156 amostras de instalações hoteleiras do Sal e da Boa Vista.

"Temos alguma implicação em alguns frescos, provavelmente os mesmos que são também consumidos pela população. Aqui o foco está nos hotéis, por causa das notícias e dos turistas, mas temos de ter atenção também para proteger a população local", acrescentou.

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O Instituto de Turismo de Cabo Verde (ITCV) também emitiu hoje um comunicado sobre o assunto, reafirmando o país como um destino seguro em ascensão.

A economia cabo-verdiana está altamente dependente do turismo, que, por sua vez, se concentra no mercado europeu com destino a unidades hoteleiras das ilhas do Sal e da Boa Vista.

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