Cadáveres em ambulâncias e burlas a seguradoras: como a máfia controlava hospital em Nápoles
Polícia deteve quatro elementos, mas existem mais 76 pessoas sob investigação, incluindo um médico, um polícia e um funcionário da Segurança Social.
A polícia italiana prendeu na quarta-feira quatro pessoas que se infiltraram num hospital em Nápoles, Itália, onde terão montado um esquema com várias ramificações para receberem indemnizações de seguros e fazerem o transporte de cadáveres com máscaras de oxigénio em macas para lucrarem com o transporte de ambulâncias particulares.
A rede que praticava estas atividades criminosas era composta por elementos do clã Contini, da máfia napolitana, e operava no hospital San Giovanni Bosco. De acordo com a investigação, o grupo controlava atividades como os serviços do restaurante e as máquinas de venda automática de comida através de ameaças e com a cumplicidade de alguns funcionários.
O esquema dos criminosos chegava ao ponto de simularem falsos acidentes de viação para burlar as seguradoras. Também obtinham atestados médicos falsos para facilitarem a saída da prisão de alguns elementos do grupo.
Mas o esquema mais macabro era o transporte de cadáveres de forma ilegal: os pacientes mortos eram retirados ilegalmente do hospital para evitar a passagem pela morgue, e transportados em ambulâncias particulares, com máscaras de oxigénio, criando assim a ilusão de que estavam vivos. Os mafiosos lucravam com o serviço de ambulância e era cobrado às famílias entre 700 e 1200 euros pelo serviço, garantiram os investigadores.
Três suspeitos de associação à família Conitini e um advogado foram detidos. Mas existem 76 pessoas sob investigação, entre eles ex-funcionários do hospital, três médicos, um elemento da Segurança Social e um polícia.
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