Casa Branca nega que Trump tenha ordenado investigação contra banco central

Investigação pode resultar em acusações criminais e na destituição de Jerome Powell.

13 de janeiro de 2026 às 07:18
Casa Branca nega que Trump tenha ordenado investigação contra banco central
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A Presidência dos Estados Unidos negou que Donald Trump esteja por trás da investigação lançada pelo Departmento de Justiça, que pode resultar em acusações criminais e na destituição do líder do banco central, Jerome Powell.

A secretária de imprensa da Casa Branca disse que o Presidente norte-americano não ordenou ao Departamento de Justiça que investigasse o líder da Reserva Federal dos Estados Unidos, conhecida como Fed.

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"Uma coisa é certa, o Presidente deixou bem claro, que Jerome Powell é mau naquilo que faz", acrescentou Karoline Leavitt, numa conferência de imprensa.

"Quanto a saber se Jerome Powell é ou não um criminoso, essa é uma resposta que o Departamento de Justiça terá de descobrir", disse a porta-voz aos jornalistas.

Questionado sobre a possível influência das repetidas críticas de Trump a Powell na decisão de abrir uma investigação, Leavitt defendeu o direito do republicano de criticar o presidente da Fed.

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Trump "tem esse direito garantido pela Primeira Emenda, tal como todos vós", disse a secretária de imprensa, numa referência ao documento constitucional que garante a liberdade de expressão.

Num comunicado divulgado no domingo, Jerome Powell, disse que a instituição recebeu uma intimação do Departamento de Justiça que pode resultar em acusações criminais tendo em vista a sua destituição, com base numa audiência no Congresso, em junho, durante a qual foi questionado sobre os custos adicionais das renovações na sede da Fed em Washington.

A procuradora dos EUA para o Distrito de Columbia, Jeanine Pirro, disse que a Fed ignorou um contacto do seu gabinete para discutir os custos excessivos da reforma, "tornando necessário o recurso a processos legais --- o que não é uma ameaça".

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"A palavra 'acusação' saiu da boca do senhor Powell, de mais ninguém", escreveu Pirro na rede social X. Isto embora a intimação e a declaração da Casa Branca sugiram o risco de uma acusação.

Em 29 de dezembro, Donald Trump tinha já avançado a possibilidade de acusar Powell por causa dos custos das renovações na sede da Fed em Washington.

"É simplesmente um homem muito incompetente", disse Trump. "Mas provavelmente vamos processá-lo", acrescentou, numa conferência de imprensa.

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O presidente do banco central defendeu no domingo que o procedimento "sem precedentes" assenta num pretexto, e que a intimação faz parte da pressão contínua, exercida por Trump sobre a instituição, para cortar as taxas de juro de forma mais drástica, mesmo com a inflação a manter-se acima da meta de 2%.

Powell declarou ainda que não cederá à pressão do governo.

Congressistas republicanos manifestaram também publicamente a sua desaprovação, com a senadora do Alasca, Lisa Murkowski, a escrever na rede social X que "os riscos são demasiado elevados para serem ignorados: se a Reserva Federal perder a sua independência, a estabilidade dos nossos mercados e da economia como um todo sofrerá".

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Tal como já tinha feito o congressista Tom Tillis, Lisa Murkowski avisou que nenhum candidato nomeado por Donald Trump para um cargo diretivo na Fed será apoiado enquanto este caso se mantiver.

Espera-se que a Casa Branca anuncie a qualquer momento o nome do sucessor de Jerome Powell, cujo mandato como presidente da Fed termina em maio.

Além de Powell, Trump tentou destituir um membro do conselho de governadores da Fed, Lisa Cook. O caso será analisado pelo Supremo Tribunal ainda este mês. 

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