Casal britânico preso no Irão por suspeitas de espionagem inicia nova greve de fome

Casal foi detido durante uma travessia pelo Irão enquanto realizava uma viagem de moto pelo mundo e condenado a 10 anos de prisão. Família fala em "julgamento simulado" e pede ação das autoridades inglesas.

20 de maio de 2026 às 17:55
Casal britânico preso no Irão por suspeitas de espionagem inicia nova greve de fome Foto: "X"
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Um casal britânico detido no Irão e condenado a 10 anos de prisão depois de serem acusados de espionagem iniciou uma nova greve de fome para pressionar as autoridades a serem libertados. Lindsay Foreman, de 53 anos, e Craig Foreman, de 52, provenientes de East Sussex, foram detidos em janeiro do ano passado durante uma travessia pelo Irão enquanto realizavam uma viagem de mota pelo mundo. O casal esteve primeiro numa prisão na cidade de Kerman, tendo sido transferido depois para Teerão, para o estabelecimento de Evin. 

Relatos do casal dão conta de que, ao chegarem ao Irão, Lindsay questionou várias pessoas na rua sobre o que seria uma "vida boa", tendo sido isso o que levou à detenção por parte das autoridades iranianas. 

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"Não imaginávamos que turistas inocentes acabariam na prisão por tanto tempo sem provas", referiu Lindsay, citada pela BBC. Relatos na imprensa britânica dão conta de que a mulher esteve em confinamento numa solitária durante 57 dias e que o marido foi interrogado, de olhos vendados, durante o período na solitária, situação que relatou como "horrível". A família descreveu o julgamento como "simulado". 

O casal já tinha feito um período de greve de fome em novembro de 2025, para alertar as autoridades inglesas para que unissem esforços na sua libertação. "Não comer era o único poder que ela tinha", relatou o filho de Lindsay depois de uma conversa telefónica com a mãe de sete minutos que lhe foi permitida na altura. "Ela disse que se sentia perdida e dececionada, tanto com o governo inglês, como com as autoridades iranianas", acrescentou. 

No início de maio deste ano a família do casal alegou que os detidos estavam sem contacto com os entes queridos. "Não sabemos se minha mãe e Craig estão seguros", disse o filho de Lindsay à BBC. Os familiares revelaram terem sido informados de que o casal teria sido colocado em confinamento e proibidos de se verem um ao outro. Na altura da detenção, a ministra dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Yvette Cooper, classificou o processo e a sentença como "absolutamente revoltante e absolutamente injustificável". 

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"A minha mãe e Craig não podem esperar que Westminster resolva a própria crise", referiu o filho de Lindsay em entrevista recente à BBC, em alusão à crise vivida atualmente no governo britânico. "Duas vidas estão em jogo", referiu o filho, que realçou que a secretária dos Negócios Estrangeiros britânica "deve agir imediatamente". 

O ministro dos Negócios Estrangeiros inglês apelidou os membros do casal detido como "turistas inocentes" e classificou o caso como "uma injustiça", em declarações no Parlamento britânico em abril. O governo indicou ainda que o embaixador britânico em Teerão tem feito esforços para prestar assistência consular, incluindo com visitas do embaixador ao casal na prisão. 

Uma das companheiras de cela de Lindsay foi condenada à morte, na sequência dos protestos no país em janeiro e onde morreram milhares de pessoas. 

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