Catalunha joga futuro nas urnas
Eleitores votam após campanha tensa marcada por insultos.
Os eleitores da Catalunha votam hoje em eleições regionais encaradas como um plebiscito popular à independência da região. As últimas sondagens colocam a lista separatista Juntos Pelo Sim à beira da maioria parlamentar, que a coligação considera necessária para declarar a independência e que, a confirmar-se, abrirá uma caixa de Pandora de consequências imprevisíveis para o futuro da região, de Espanha e da própria Europa.
As metas estão traçadas há muito: a coligação Juntos Pelo Sim, que junta os dois maiores partidos separatistas, CDC e ERC, promete que, em caso de vitória, começará já amanhã a criar as "infraestruturas de um Estado", com vista a declarar formalmente a independência no prazo de 18 meses. Para isso, declarou como mínimo indispensável uma maioria parlamentar – 68 deputados –, que as últimas sondagens indicavam estar ao seu alcance. Pode assim dar-se o caso de, devido ao sistema proporcional em vigor na Catalunha, o processo independentista avançar sem ter a maioria dos votos populares, o que levanta dúvida sobre o cariz plebiscitário que a lista de Artur Mas quer dar a estas eleições.
A campanha foi tensa, com a lista separatista e o governo central a trocarem insultos e ameaças. Artur Mas ameaça não pagar a dívida pública da Catalunha se Rajoy recusar o diálogo, colocando em maus lençóis a economia espanhola. Já Madrid apostou claramente no medo, afirmando que, se escolherem a independência, os catalães ficarão sem as suas pensões e depósitos bancários, perderão a cidadania espanhola, serão expulsos da União Europeia e do euro e até o FC Barcelona ficará sem Liga onde jogar.
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