Centro Português na Venezuela insta a preservar a memória e o legado

Diretora de Cultura do CPC explicou que durante muitos anos houve, naquele clube, alguma reserva em assinalar o aniversário do 25 de Abril de 1974.

26 de abril de 2026 às 17:55
Bandeira da Venezuela Foto: Getty Images
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A diretora de Cultura do Centro Português de Caracas (CPC), Alba Ferreira, instou os portugueses a preservarem localmente a memória, história e legado dos seus antepassados, em particular o aniversário de Abril, do início da liberdade.

"Reunimo-nos hoje para celebrar a madrugada que mudou o destino do Portugal. Para nós que vivemos a Portugalidade aqui na Venezuela, este dia é um dever de memória. Estar longe da nossa terra não nos afasta da nossa história, pelo contrário, torna-nos seus guardiões e garante que os valores da liberdade não têm fronteiras", disse.

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A diretora de Cultura do CPC explicou que durante muitos anos houve, naquele clube, alguma reserva em assinalar o aniversário do 25 de Abril de 1974, "muitas vezes para evitar polémicas".

"No entanto, hoje olhamos para o passado com serenidade e entendemos que celebrar Abril não é um ato de divisão, mas sim um compromisso com a nossa identidade (...) É mostrar a história do Portugal, a história que sustenta o país democrático que hoje nos orgulha", disse na noite de sábado, manhã deste domingo em Lisboa, durante as celebrações do 52.º aniversário da Revolução dos Cravos.

Martinho Abreu, presidente do CPC, descreveu o 25 de Abril de 1974 como uma das datas mais marcantes da história de Portugal, que pôs fim a uma longa ditadura e abriu caminho à liberdade, à democracia e à construção do novo país.

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"O símbolo dos cravos colocados nas mãos e nas armas dos soldados tornou-se para sempre uma imagem de uma revolução feita com esperança, coragem e, sobretudo, com o profundo desejo de paz", frisou.

Com apenas quatro semanas em Caracas, o novo embaixador de Portugal na Venezuela, Manuel Frederico Pinheiro da Silva, começou por afirmar sentir-se "tocado e impressionado com a qualidade do que tem visto" na comunidade luso-venezuelana.

"O espírito de união é perfeitamente notório aqui. E é para mim um privilégio, de facto, poder testemunhar isso", disse.

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O diplomata considerou que há muitas respostas para a pergunta do que se celebra quando se fala do 25 de Abril.

"Eu tenho uma resposta, outros terão muitas respostas também. E a beleza e a magia desse dia é que tanto a minha resposta, como a e cada um é válida, é digna, porque é a opinião de cada um. Isso chama-se democracia, isso chama-se o recusar um estado de coisas, um regime de pensamento único", disse.

O embaixador vincou que "o pensamento único, nem que seja aparentemente muito bonito, muito perfeito, muito satisfatório até para muitos, é sempre único".

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"A vida e as circunstâncias da vida são demasiado complexas, demasiado distintas de pessoa para pessoa, de família para família, de país para país (...) Vivermos num regime, ou sob um regime que de forma pacífica e confortável, aceita aquilo que pensamos, as decisões que tomamos (...) é uma benesse", disse.

As celebrações do 25 de Abril no CPC contaram com a presença e depoimentos de portugueses radicados na Venezuela sobre as suas lembranças do "nascimento de um Portugal aberto ao mundo, que permitiu o regresso de milhares de compatriotas e a construção da democracia".

Foi lido o testemunho de um português de Moçambique, este domingo, radicado em Caracas, que não viveu a Revolução como uma festa, porque viu a sua vida transformada, perdeu tudo o que tinha construído num processo de descolonização que o forçou a cruzar a fronteira para a antiga Rodésia, iniciando uma jornada de sobrevivência que o levou até à Venezuela.

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