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Da retirada de Trump à detenção do suspeito: o que se sabe sobre o ataque durante jantar de correspondentes da Casa Branca

Suspeito tinha duas armas de fogo e facas. Donald Trump foi retirado à pressa da sala do jantar e imagens divulgadas mostram convidados a esconderem-se debaixo de mesas.

26 de abril de 2026 às 09:28

Um suspeito de 31 anos, identificado como Cole Tomas Allen, invadiu armado o hotel onde se realizava o jantar anual de Correspondentes da Casa Branca na madrugada deste domingo. O presidente norte-americano Donald Trump e a esposa, assim como o vice-presidente JD Vance, foram retirados do jantar pelas equipas de segurança e saíram ilesos. O homem foi imobilizado depois de uma troca de tiros com os agentes dos Serviços Secretos norte-americanos. Um dos agentes ficou ferido, mas encontra-se fora de perigo. 

Informações dos agentes norte-americanos dão conta de que o homem tinha duas armas de fogo e facas, no momento em que invadiu o hotel. Cole Tomas Allen, residente na Califórnia, estaria hospedado no mesmo hotel onde decorria o evento - o Washington Hilton. A polícia acredita que o homem atuou sozinho, mas ainda não foram reveladas as possíveis motivações para o sucedido. 

A troca de tiros entre o suspeito e os agentes norte-americanos ocorreu do lado de fora do salão onde estavam presentes os convidados do jantar. A presença de Donald Trump no jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca aconteceu pela primeira vez desde 2015 e num momento em que o presidente expõe publicamente a relação conflituosa do seu executivo com a imprensa livre, aponta a Associated Press. 

O presidente Trump divulgou nas redes sociais uma imagem do momento da imobilização do suspeito, que surge algemado. Foi ainda divulgado um vídeo que mostra o homem a correr entre as barricadas de segurança, enquanto é perseguido. As autoridades norte-americanas referem que o suspeito não ficou ferido. 

Imagens divulgadas do salão de baile onde decorria o jantar mostram os convidados a esconderem-se debaixo de mesas, enquanto agentes dos Serviços Secretos rodeavam o palco depois de serem ouvidos tiros do lado de fora.

O vice-presidente JD Vance foi o primeiro a sair da sala, enquanto agentes de segurança escoltavam o presidente Trump e a primeira-dama até ao exterior do recinto. Relatos da polícia norte-americana referem que o presidente ficou retido na suíte presidencial do hotel enquanto se avaliava se o evento era ou não retomado, mas os serviços secretos aconselharam a que o líder dos EUA retornasse à Casa Branca. O evento vai ser remarcado. 

"Quando se causa impacto, eles perseguem-te"

O presidente dos EUA, Donald Trump, reagiu ao sucedido numa conferência de imprensa logo após a detenção do suspeito, que apelidou de "lobo solitário maluco". Numa publicação na rede social Truth Social, o líder dos EUA relatou o momento em que os elementos de segurança pediram que abandonasse as instalações, juntamente com a esposa Melania. "A Primeira-Dama, o Vice-Presidente e todos os membros do Gabinete estão em perfeitas condições", escreveu. 

"Hoje precisamos de níveis de segurança nunca antes vistos. Não vamos deixar ninguém tomar o controlo da nossa sociedade", referiu Trump durante a conferência de imprensa.

"Os Serviços Secretos e as forças policiais de Washington fizeram um trabalho fantástico. Agiram com rapidez e bravura", escreveu ainda Donald Trump depois do sucedido. O presidente dos EUA referiu que recomendou que "deixassem o show continuar", mas que se seguiram as orientações policiais. "Independentemente dessa decisão, a noite será muito diferente do planeado", apontou. 

O diretor do FBI, Kash Patel, disse que a investigação está a decorrer e que estão a ser ouvidas as testemunhas presentes no momento da invasão. 

O que se sabe sobre o suspeito

Cole Tomas Allen, residente na Califórnia e de 31 anos, não tem antecedentes criminais e licenciou-se em engenharia mecânica em 2017, pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia, de acordo com informações reveladas pela Associated Press.  O currículo online de Allen refere que trabalhou nos últimos seis anos numa empresa que oferece serviços de consultoria e admissão para testes a estudantes que pretendam entrar no ensino superior.

"Era um aluno excelente", disse Big Tang, professor de ciências da computação da Universidade da Califórnia que deu aulas a Allen, à Associated Press. "Fiquei muito chocado com a notícia", disse. Cole Tomas Allen desenvolveu um protótipo para um novo tipo de mecanismo para auxiliar pessoas em cadeiras de rodas, segundo uma entrevista que deu à emissora local ABC, em Los Angeles. Publicações nas redes sociais de Allen dão ainda conta de que este estaria a desenvolver um videojogo baseado em química molecular. 

Segurança do hotel

O hotel onde decorria o evento está normalmente aberto aos hóspedes durante o jantar de correspondentes, sendo usual que a segurança se concentre no salão de baile e não existindo triagem no resto do hotel ou das pessoas que circulam no edifício, refere a AP, que recorda eventos em anos anteriores em que manifestantes entraram no hotel com faixas para se manifestarem. 

Ao final da noite de sábado, dezenas de manifestantes chegaram a concentrar-se em frente ao hotel antes do evento. Um deles vestia uniforme de presidiário, usava uma máscara de Pete Hegseth e luvas vermelhas. Foram ainda levados cartazes onde estava escrito - "O jornalismo está morto", refere a Associated Press

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